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Insegurança alimentar severa no Brasil cai ao menor patamar já registrado, aponta FAO-ONU | Diario de Pernambuco

 Wellington Dias, ministro de Desenvolvimento, Assistência Social, Família e Combate à Fome/MDS/Divulgação

Wellington Dias, ministro de Desenvolvimento, Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS/Divulgação)

O Brasil permanece fora do Mapa da Fome, confirma o relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo (SOFI, sigla em inglês), divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO-ONU), nesta terça-feira (21), em Roma, na Itália. Outro destaque do levantamento é o menor patamar já registrado para insegurança alimentar severa da série histórica no território brasileiro, que chegou a 0,6%, o que representa uma queda de mais de 91% em relação aos últimos três triênios avaliados.  

No último ano, a saída do país já havia sido revelada durante a 2ª Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU, em Adis Abeba, na Etiópia. Os dados, divulgados agora, consolidam a análise mundial do triênio 2023-2025. Para figurar fora do mecanismo de monitoramento das Nações Unidas, a subnutrição ou subalimentação no país deve estar abaixo de 2,5%, segundo o indicador de Prevalência de Subnutrição (PoU, na sigla em inglês).

O número concreto de brasileiros que saíram da condição de insegurança alimentar é de 16,7 milhões de pessoas. Essa consolidação é uma vitória do governo Lula III e traz ainda mais credibilidade à proposta de criação da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, apresentada pelo presidente do Brasil no G20, na cúpula do Rio, em 2024. Antes disso, no triênio 2018-2020, o Brasil havia voltado ao Mapa da Fome, de onde só havia saído pela primeira vez em 2014.

“Os programas levaram 11 anos para alcançar esse objetivo”, destacou, por telefone, ao Diario, o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, que enumerou ações para buscar a segurança alimentar, como políticas públicas de transferência de renda, programas de alimentação escolar, apoio à agricultura familiar e segurança na produção e armazenagem de alimentos.

Para o ministro, a reestruturação de políticas públicas e a integração de diversos setores e esferas governamentais, com foco na integração econômica, não só foram imprescindíveis para a retomada do marco, como são essenciais para a sua manutenção. “O próprio relatório da SOFI destaca o crescimento da renda e mais pessoas — que antes eram do Bolsa Família, do Cadastro Social — indo para o emprego, para o pequeno negócio, o cooperativismo”, reforça Dias.

De acordo com os dados históricos, a trajetória percentual registrada da insegurança alimentar no Brasil deve seguir em queda. Nos últimos triênios aferidos pela organização, o percentual era de 6,6% (2021-2023), 3,4% (2022-2024) e, agora, 0,6% (2023-2025). “A própria FAO sinaliza que podemos chegar a um patamar ainda mais baixo em 2030”, enfatizou Wellington Dias. “Agora, o Brasil está cada vez mais preparado.”

Alimentação Saudável

Outro tema central deste relatório SOFI 2026 é o enfrentamento do alto custo de uma dieta saudável. O documento aponta que, no Brasil, 21,1% da população ainda não consegue pagar por uma alimentação adequada. Segundo a estimativa, o custo dessa dieta em solo nacional é de US$ 4,89 ao dia — aproximadamente R$ 24,80, de acordo com a cotação vigente. Ainda assim, o número é o menor dentro da avaliação da América Latina e do Caribe (US$ 4,91).

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