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- Fernando Haddad, pré‑candidato ao governo de São Paulo, alertou em 2 de julho de 2026 sobre a entrada de milícias no setor de segurança de transporte de cargas no interior do estado.
- O candidato disse que grupos criminosos se apresentam como empresas de segurança privada em Hortolândia e Piracicaba, cobrando serviços e enriquecendo poucos.
- Haddad comparou o risco ao cenário do Rio de Janeiro, afirmando que a falta de inteligência pode transformar São Paulo em situação similar.
- Ele criticou a gestão do governador Tarcísio de Freitas pela ausência de cooperação com órgãos federais de inteligência na segurança pública.
Fernando Haddad (PT), pré-candidato ao governo de São Paulo, afirmou nesta quinta-feira (2 de julho de 2026) que milícias estão se infiltrando no setor de segurança para transporte de cargas no interior paulista, comparando o cenário ao do Rio de Janeiro. As declarações foram feitas durante visitas a empresas e universidades em Hortolândia e Piracicaba, no interior do estado, onde Haddad apresentou propostas de segurança pública e criticou a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) pela ausência de cooperação com órgãos federais de inteligência.
Haddad alerta para infiltração de milícias em SP
Em visita à sede de uma empresa de embalagens em Hortolândia, a cerca de 110 km da capital, Haddad afirmou que grupos criminosos estão se apresentando como prestadores de serviços de segurança privada para transportadores de carga no interior de São Paulo. Segundo o pré-candidato, esses grupos enriquecem à custa de quem precisa contratar proteção para suas mercadorias e, num segundo momento, evoluem para organizações criminosas. “Está começando a entrar milícia em São Paulo, vendendo serviço de segurança, enriquecendo poucas pessoas, mas empobrecendo a pessoa que tem que contratar a milícia para proteger sua carga”, disse Haddad.
O paralelo com o Rio de Janeiro foi o eixo central do alerta. “Se você não tiver um trabalho de inteligência no transporte de carga, nós vamos transformar São Paulo no que é hoje o Rio de Janeiro”, afirmou. Em Piracicaba, o tom se elevou com uma crítica direta ao governo estadual: “O problema da segurança pública virou um problema crônico no estado todo. E nós estamos passando por um processo, nesse governo Tarcísio, que está abrindo a porta para milícias venderem segurança que deixa de ser pública e passa a ser privada.”
Propostas de Haddad para a segurança pública
Haddad apresentou duas propostas centrais durante as agendas no interior. A primeira é a retomada do uso contínuo de câmeras corporais pela Polícia Militar, substituindo o sistema atual de acionamento remoto e automático. A segunda é a criação, “no primeiro dia de governo”, de um gabinete institucional permanente de inteligência contra o crime organizado, presidido pelo próprio governador. O colegiado teria assento para órgãos federais como a Polícia Federal, a Receita Federal e o Coaf, além de estruturas estaduais como o Gaeco, a Polícia Militar e a Polícia Civil.
A proposta é também uma crítica velada à gestão atual. “Essa resistência do Tarcísio a fazer parceria com a Polícia Federal, com a Receita Federal, com o Coaf, não faz o menor sentido”, disse Haddad. Para o pré-candidato, a ausência de inteligência integrada no setor de transporte de cargas é o principal vetor de risco para o avanço das milícias no estado. A arquitetura do gabinete proposto aponta para um modelo de cooperação federativa que, segundo Haddad, está deliberadamente bloqueado pela gestão Tarcísio, argumento que a campanha do governador não comentou publicamente até o fechamento desta reportagem.
Reação da Secretaria da Segurança Pública de SP
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) respondeu em nota que “o enfrentamento ao crime organizado é feito com inteligência, tecnologia, estratégia, policiamento ostensivo e investimentos contínuos” e que “a movimentação de organizações criminosas é monitorada permanentemente”. A pasta também informou ter destinado mais de R$ 1,7 bilhão ao combate às organizações criminosas e criado o Núcleo Especializado de Combate à Criminalidade Organizada e à Lavagem de Dinheiro.
A SSP-SP acrescentou que, desde janeiro de 2023, participou de 283 ações conjuntas com a Polícia Federal por meio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), de 250 operações em parceria com o Ministério Público e de operações interestaduais, resultando na prisão de 701,4 mil infratores no período. A nota, porém, não abordou diretamente a alegação específica de Haddad sobre a infiltração de milícias no mercado de segurança para transporte de cargas, limitando-se a um balanço genérico de ações já em curso. A ausência de uma resposta pontual à denúncia deixa sem contestação formal o argumento central do pré-candidato.
