Presidente da Argentina, Javier Milei ( Luis Robayo/AFP)
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou o embaixador do Brasil na Argentina, Júlio Bitelli, para consultas neste domingo (26). O motivo foram “ofensas proferidas pelo presidente argentino [Javier Milei]” contra seu homólogo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) em um evento em São Paulo no último sábado (25), informou o Itamaraty à equipe de reportagem.
Sem mencioná-los diretamente, Milei chamou Lula de “presidiário” e “ladrão”, e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, de “lixo careca”, durante a nomeação oficial do senador e candidato Flávio Bolsonaro como adversário de Lula nas eleições presidenciais de outubro.
A informação sobre o chamado foi confirmada ao Broadcast Político pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil neste domingo. Bitelli deve voltar ao Brasil ainda neste domingo (26), ou na segunda-feira (27), e se reunir com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Entenda o chamado
O chamado para consultas, na diplomacia, é uma forma de um País protestar contra ações de um outro Estado. Foi o que aconteceu, por exemplo, em fevereiro de 2024, quando o embaixador do Brasil em Israel, Frederico Meyer, foi chamado, após Lula ser declarado “persona non grata” pelo governo de Benjamin Netanyahu. Também foi o que aconteceu em outubro de 2024, quando o governo venezuelano de Nicolás Maduro decidiu chamar para consultas o embaixador no Brasil após o veto do Brasil à entrada da Venezuela no Brics.
Na prática, não há um prazo para o retorno do embaixador do Brasil na Argentina ao país vizinho. O ato de chamá-lo de volta ao Brasil para reuniões serve mais como um recado diplomático de forte descontentamento.
O presidente argentino, Javier Milei, durante convenção do PL, em São Paulo, no sábado, 25, reclamou pelo fato de não ter sido autorizado a visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e comparou com o período em que Lula esteve preso. Também disse confiar em Flávio Bolsonaro (PL) para “conseguir parar a escória socialista”.

