A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, alertou nesta quarta-feira (7) que a economia mundial enfrenta três ameaças ao mesmo tempo: energia cara por mais tempo, dívida pública em nível recorde e os riscos do boom de investimentos em inteligência artificial. Ela cobrou dos governos medidas de proteção nas políticas fiscal e monetária. O discurso abriu caminho para as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, que acontecem na semana que vem em Bangcoc, na Tailândia.
Na avaliação dela, o mundo é puxado por dois choques em sentidos opostos. De um lado, os conflitos no Oriente Médio apertam a oferta de energia. De outro, a IA aquece a demanda e também pressiona a inflação. O efeito combinado, disse Georgieva, é muito desigual entre os países.
O petróleo segue perto de US$ 100 por barril, e o fornecimento de gás natural continua restrito pelas ameaças ao transporte pelo Estreito de Ormuz, justamente quando começa o aquecimento no Hemisfério Norte. Mesmo que a guerra no Golfo termine logo, o FMI espera preços altos por um bom tempo, e os contratos futuros do Brent apontam nessa direção até 2027.
Com a inflação mais alta, os juros básicos e os rendimentos dos títulos de 10 anos de Estados Unidos, Alemanha e Japão estão nos maiores níveis desde 2007, 2009 e 1996, respectivamente. A dívida pública global, por sua vez, está no patamar mais alto desde a Segunda Guerra Mundial e deve passar de 100% do PIB antes de 2030. Georgieva apontou as economias avançadas, lideradas pelos EUA, como as principais responsáveis e afirmou que só crescer não resolve o problema: é preciso um plano crível de ajuste fiscal de médio prazo.
As novas projeções do Fundo, que saem nas reuniões de Bangcoc, devem trazer as maiores revisões para baixo em países atingidos pela guerra, como Ucrânia e as nações do Golfo. A diretora não disse se vai mexer na previsão de crescimento global de 2026, que estava em 3,0% em julho, com 3,4% esperados para 2027. Ela ainda lembrou que a IA ajuda a sustentar a economia, mas alertou para o risco de concentração no setor de tecnologia.
Por: TonyLucas/ focobr.com
