O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) embarcou em um jato ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro um dia antes de cobrar, por meio de um assessor, a liberação de mais um repasse milionário para a produção de “Dark Horse”, cinebiografia sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O episódio reacende as suspeitas sobre a origem e o destino do dinheiro que financia o filme, hoje sob investigação em dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo registros obtidos pela imprensa, o voo aconteceu em 19 de janeiro de 2025, em aeronave operada pela Prime Aviation Táxi Aéreo, ligada à empresa Prime You — da qual Vorcaro foi sócio entre 2021 e setembro de 2025. Flávio viajou acompanhado da mulher, Fernanda Antunes Figueira, das duas filhas do casal e de um advogado próximo ao senador.
No dia seguinte, 20 de janeiro, data prevista para a liberação de um primeiro repasse de US$ 2 milhões ao projeto — de um total de US$ 24 milhões solicitados —, Flávio escreveu a Thiago Miranda, sócio do jornalista Léo Dias, pedindo que pressionasse o entorno de Vorcaro. Em mensagens que vieram a público, o senador pediu para “dar um gás na resposta do jurídico do investidor”. O pagamento só foi efetivamente concluído em 13 de fevereiro, feito pela Entre Investimentos e Participações ao fundo Havengate Development Fund LP, responsável por administrar os recursos do filme.
A cronologia dos repasses, porém, não bate com o que o próprio Flávio afirmou publicamente. Em entrevista à GloboNews, ele disse que o último aporte de Vorcaro havia ocorrido em maio de 2025. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), no entanto, identificou uma transferência de US$ 1,6 milhão feita por Vorcaro ao Havengate em 16 de setembro — quatro meses depois da data mencionada pelo senador. Há ainda indícios, a partir de trocas de mensagens, de um possível repasse adicional em outubro.
Questionado por jornalistas sobre essa diferença, Flávio reagiu com irritação e disse não ter conhecimento do valor: “Essas informações eu não tenho como saber porque eu não trato disso, gente.” Ele orientou que a pergunta fosse direcionada à produtora do filme.
O caso é investigado em dois inquéritos no STF. Um deles, sob relatoria do ministro André Mendonça, apura possíveis irregularidades no financiamento da produção. O outro, conduzido pelo ministro Flávio Dino, investiga um possível uso de recursos de emendas parlamentares para bancar o filme sobre o ex-presidente.
Por: TonyLucas/ focobr.com




