Fim das bets pode estar pondo mais comida na mesa, aponta BTG

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Fim das bets pode estar pondo mais comida na mesa, aponta BTG

O BTG Pactual, um dos maiores bancos de investimento do país, divulgou um relatório sobre a rede de supermercados Assaí com um dado que o mercado financeiro não costuma celebrar: o fim das bets pode estar devolvendo dinheiro ao consumo básico. O documento é de 13 de outubro, foi feito depois de conversa com a diretoria da rede e aponta sinais de melhora nas compras, principalmente no interior e em bairros de menor renda.

Quem falou ao banco foram o CEO do Assaí, Belmiro Gomes, o diretor financeiro, Rafael Sachete, e a gerente de relações com investidores, Gabrielle Helu. Segundo o relatório, os executivos enxergam sinais iniciais de melhora no consumo neste quarto trimestre e avaliam que as restrições às apostas online podem estar contribuindo para que as famílias voltem a gastar com alimentação dentro de casa.

A mudança nasce da medida provisória assinada pelo presidente Lula que proibiu as bets no país. Em 25 de setembro as plataformas ficaram impedidas de receber novos depósitos e, desde 6 de outubro, tiveram de tirar sites e aplicativos do ar. Os bancos também foram obrigados a devolver cerca de R$ 1,3 bilhão que estava nas contas de 26,5 milhões de apostadores, dinheiro que agora volta às mãos das famílias.

A leitura dos analistas do BTG é que os supermercados podem estar entre os primeiros setores a se beneficiar quando o brasileiro deixa de jogar e volta a comprar comida. O terceiro trimestre foi duro para o varejo alimentar, com perda de poder de compra e troca por produtos mais baratos. Esse movimento perde força, mas ainda aparece em itens como os produtos de limpeza, segundo a própria rede.

O que já se ouvia no comércio ganha agora um carimbo do mercado. Uma pesquisa do Sebrae de outubro, com 1.028 donos de pequenos negócios, mostrou que 33% perceberam queda no poder de compra dos clientes e 26% relataram perda de faturamento que ligam ao avanço dos jogos de aposta. É percepção de quem está no balcão, mas ajuda a explicar por que o pequeno comerciante comemora o fim das bets.

É preciso dizer com todas as letras: o relatório não traz números fechados de vendas e fala em possibilidade, não em certeza, lembrando que uma recuperação mais consistente em 2027 ainda depende de poder de compra e volume. Mesmo assim, o sinal vem de um banco do mercado financeiro e de uma rede que sente o movimento no caixa todos os dias. A decisão de Lula de enfrentar as bets começa a aparecer onde mais importa: na mesa do brasileiro.

Por: TonyLucas/ focobr.com

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