Fé no Brasil, fé no povo que precisa viver, fé em Nossa Senhora, nossa padroeira

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Fé no Brasil, fé no povo que precisa viver, fé em Nossa Senhora, nossa padroeira

Fortaleza (CE) — Em ato de campanha nas ruas do Centro de Fortaleza, na terça-feira (29), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ergueu diante da multidão uma imagem de Nossa Senhora Aparecida recebida de apoiadores e reafirmou, em tom de fé e de disputa política, que a santa seguirá como padroeira do Brasil enquanto ele ocupar a Presidência da República.

“Eu respeito todas as religiões”, disse Lula à multidão reunida na Praça do Ferreira, ao final da caminhada que começou por volta das 11h. “Mas, enquanto eu for presidente da República, Nossa Senhora Aparecida será a padroeira do Brasil.” E foi além: “Quem não quiser, que mude do Brasil.”

O gesto respondeu a boatos que circularam na última semana sobre uma suposta tentativa de retirar a santa do posto de padroeira — insinuação que Lula atribuiu a adversários e à qual reagiu em tom de fé e de defesa da tradição popular. “Saiu o boato que vão querer que Nossa Senhora Aparecida não seja mais padroeira do Brasil”, afirmou, num discurso que misturou devoção religiosa e embate direto com o principal rival nas urnas, Flávio Bolsonaro (PL).

Fé também foi a palavra escolhida pelo presidente para falar do povo que, segundo ele, precisa ser protegido do endividamento provocado pelas casas de apostas online. Reafirmando a proibição das bets anunciada por seu governo, Lula foi categórico: “Ou o Brasil acaba com as bets, ou as bets acabam com o Brasil.” E lembrou, em tom de resgate da identidade nacional pelo futebol: “O Brasil foi cinco vezes campeão do mundo sem bet.”

O presidente também prometeu o fim da escala 6×1, dirigindo-se diretamente aos trabalhadores do comércio presentes no ato: “Nós vamos acabar com a escala 6×1, para que vocês tenham dois dias de descanso.”

A caminhada reuniu ainda o governador Elmano de Freitas, candidato à reeleição no Ceará, os senadores Cid Gomes e Luizianne Lins, candidatos ao Senado, e o senador Camilo Santana — reforçando o palanque cearense em ano decisivo de eleição presidencial. Lula classificou o pleito como uma disputa entre “democracia e barbárie” e prometeu “enterrar o bolsonarismo” no país.

Entre a fé na santa, a fé no povo que precisa viver com dignidade e menos jornada de trabalho, e a fé na tradição que resiste às disputas políticas, Lula construiu em Fortaleza um discurso que uniu religiosidade popular e estratégia eleitoral, num dos momentos mais simbólicos da campanha até aqui.

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