O entorno do presidente do Progressistas, senador Ciro Nogueira (PI), viu a conversa da senadora Tereza Cristina (PP-MS) com o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, como uma tentativa de emparedá-lo para uma aliança nacional.
A sinalização da ex-ministra da Agricultura do governo Jair Bolsonaro de que toparia ser vice de Flávio, porém, irritou dirigentes estaduais da sigla.
A conversa, segundo relatos à CNN, teria ocorrido sem qualquer combinação prévia com a cúpula do PP e quando já havia o entendimento de que a sigla permaneceria independente na disputa nacional.
A leitura nos bastidores do partido é que o vazamento da informação de que Tereza teria sinalizado positivamente para a aliança buscava deixar Ciro Nogueira com o ônus de vetar a composição. Também teria o objetivo de pressioná-lo a rediscutir a decisão de optar pela neutralidade na disputa presidencial.
Integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro ainda insistem nas negociações com a federação formada por Progressistas e União Brasil, além de Republicanos e Podemos. O PL tenta evitar o isolamento e garantir mais tempo de TV na propaganda eleitoral gratuita.
Até esta quinta-feira (30), havia no QG de Flávio a expectativa de uma última conversa com Ciro Nogueira e Antonio Rueda, presidente do União Brasil, na próxima segunda-feira (3), dois dias antes do fim do prazo para a realização das convenções partidárias.
Interlocutores de Ciro e Rueda, porém, afirmam que não há necessidade de uma reunião derradeira, uma vez que todos os recados já foram dados e não há espaço para uma composição.
Como mostrou a CNN, consultados sobre a aliança, líderes regionais reafirmaram ao presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), entre quarta-feira (29) e quinta-feira (30), a preferência pela neutralidade na disputa nacional.
Os caciques regionais, segundo apurou a CNN, reforçaram que querem manter o PP independente, livre para fazer alianças tanto à direita quanto à esquerda, conforme as conveniências políticas de cada estado.
Em Pernambuco, na Paraíba e no Maranhão, por exemplo, o Progressistas busca alinhamento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Já em estados como Paraná e São Paulo, a sigla segue ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL).
O objetivo do grupo é eleger o maior número possível de deputados federais. É a quantidade de cadeiras na Câmara que define a distribuição dos fundos Eleitoral e Partidário.

