Enquanto o Sport sofre na Série B, o Palmeiras respira a 2.850 metros de altitude em Quito

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Enquanto o Sport sofre na Série B, o Palmeiras respira a 2.850 metros de altitude em Quito

O futebol brasileiro tem dessas contradições que só uma quarta-feira de setembro consegue reunir. Enquanto o Sport tentava, na noite de segunda-feira (15/9), sobreviver mais uma rodada na Série B, fora de casa, contra o CRB, o Palmeiras se preparava para desembarcar em Quito, a 2.850 metros de altitude, para tentar um feito bem mais raro: uma vaga entre os quatro melhores times da América do Sul. São dois times, duas divisões, dois planetas — e, ainda assim, o mesmo esporte, a mesma paixão de arquibancada vazia ou lotada, o mesmo nervosismo no peito de quem torce.

Para o Sport, a noite em Alagoas terminou como boa parte desta temporada: por pouco. O time saiu na frente com Crystopher Ribeiro logo aos 16 minutos do primeiro tempo, mas não segurou a vantagem e viu o CRB buscar a virada, fechando o placar em 2 a 1. É o tipo de resultado que dói mais do que uma derrota qualquer, porque carrega a sensação de chance desperdiçada — e na Série B, onde cada ponto pesa como se fosse o último, desperdiçar uma vantagem em pleno segundo tempo tem gosto amargo. O Leão da Ilha do Retiro segue com a missão de reencontrar consistência numa competição que não perdoa oscilação.

Do outro lado do continente, o Palmeiras vive a temporada em outro ritmo. Depois de vencer o jogo de ida por 1 a 0, com gol de Giay, o time entra em campo nesta quarta-feira, às 19h, no Estádio Rodrigo Paz Delgado, precisando apenas de um empate para carimbar a vaga nas semifinais da Libertadores. Não é um desafio pequeno: a altitude de Quito é uma armadilha histórica para clubes brasileiros, e o próprio calendário apertado do Palmeiras — que ainda briga pelo título do Brasileirão com um Flamengo que vem cortando distância — cobra seu preço físico e mental do elenco alviverde.

É curioso como o mesmo esporte consegue, na mesma noite, pedir coisas tão diferentes de quem o pratica e de quem o assiste: para o torcedor do Sport, a alegria possível é a permanência, o ponto que afasta o fantasma do rebaixamento; para o torcedor do Palmeiras, a ambição é continental, é sonhar com uma taça que ultrapassa fronteiras. Mas o nervoso do estômago, esse, é exatamente igual — porque não existe grandeza ou pequenez no futebol quando a bola está rolando, existe apenas a torcida, inteira, agarrada ao resultado que ainda não aconteceu.

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