João Campos colocou a expansão do Embarque Digital entre as vitrines de sua candidatura ao Governo de Pernambuco. O argumento tem uma base concreta no Recife: em 1º de abril, a quarta turma do programa municipal formou 169 profissionais em cursos superiores de tecnologia. Segundo a Secretaria de Educação da capital, mais de 70% dos integrantes daquela turma já estavam empregados na data da formatura.
O perfil divulgado pela Prefeitura ajuda a medir o alcance social da iniciativa criada na gestão de Campos: 49,11% dos formandos eram negros, 34,91% mulheres e 79,88% ingressaram com renda familiar de até três salários mínimos. O ex-prefeito afirmou no evento que cerca de 80% dos estudantes tiveram aumento de renda e que mais de 60% saem empregados. Esses percentuais são dados apresentados pela administração municipal; não constituem, por si só, uma avaliação independente do programa.
A política continuou depois da saída de João Campos da Prefeitura. Em 25 de maio, a gestão municipal abriu a 11ª edição do Embarque Digital, com 250 vagas gratuitas para ingresso no segundo semestre de 2026, nos cursos de Análise e Desenvolvimento de Sistemas e Sistemas para Internet. As inscrições terminaram em 19 de junho. O desenho combina graduação de dois anos e meio, residência tecnológica e participação de instituições de ensino e empresas do Porto Digital.
O ambiente econômico ao redor do programa também avançou. O Porto Digital informou que encerrou 2025 com 541 empresas, 24.079 trabalhadores e faturamento de R$ 7,4 bilhões. O emprego formal em tecnologia da informação e comunicação no Recife cresceu 15,8% no mesmo ano, conforme dados do Caged citados pelo distrito de inovação. O próprio Porto aponta o Embarque Digital como uma das iniciativas que ajudam a preparar mão de obra, embora esses números não permitam atribuir todo o crescimento ao programa.
Em junho, João Campos propôs levar o modelo a todas as regiões do estado, com 10 mil vagas em quatro anos para estudantes da rede pública. É importante separar as duas etapas: os resultados recifenses são entregas mensuráveis; as vagas estaduais ainda são promessa eleitoral, dependente de vitória, orçamento, parcerias e capacidade de execução no interior. O legado municipal dá lastro à proposta — e eleva a obrigação de apresentar custos, metas anuais e mecanismos públicos de acompanhamento antes de pedir que Pernambuco assine o próximo capítulo.
Fontes: Prefeitura do Recife, Porto Digital e Diario de Pernambuco.




