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- Datafolha divulgou, em 3 de julho, que 70% dos brasileiros defendem que adolescentes infratores sejam punidos como adultos.
- O apoio subiu de 65% em 2022, enquanto a preferência pela reeducação caiu de 34% para 27%.
- A pesquisa foi feita presencialmente em 17 e 18 de junho, com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais em 139 municípios.
- Apesar da pergunta usar “crimes”, o Estatuto da Criança e do Adolescente classifica atos de menores como infrações, não crimes.
A parcela dos brasileiros que defende que adolescentes autores de crimes devem receber punições equivalentes às aplicadas a adultos aumentou nos últimos quatro anos, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (3). O levantamento mostra que 70% dos entrevistados apoiam o endurecimento das punições para menores infratores, ante 65% registrados em 2022.
Os dados fazem parte do eixo de comportamento da matriz ideológica do instituto e indicam uma mudança na percepção da opinião pública sobre a responsabilização de adolescentes envolvidos em atos ilícitos.
Em sentido contrário, o percentual de brasileiros que defendem a reeducação dos menores infratores caiu de 34%, em 2022, para 27% neste ano. Outros 3% dos entrevistados afirmaram não saber ou preferiram não responder.
Apesar de a pesquisa utilizar o termo “crimes” ao formular a pergunta aos entrevistados, a legislação brasileira estabelece distinção jurídica para atos praticados por menores de idade. De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), condutas ilícitas cometidas por pessoas com menos de 18 anos são classificadas como atos infracionais.
O levantamento foi realizado presencialmente nos dias 17 e 18 de junho, com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais em 139 municípios brasileiros. A margem de confiança é de 95%, e a pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026.
Diferenças por religião
A pesquisa também identificou diferenças de posicionamento conforme o perfil religioso dos entrevistados. Entre os evangélicos, 75% defendem que adolescentes infratores sejam punidos como adultos, enquanto 24% apoiam a reeducação.
Entre os católicos, o percentual favorável à punição como adulto é de 72%, enquanto 25% defendem medidas voltadas à reeducação.
Recorte por intenção de voto
O Datafolha também analisou as respostas de acordo com a preferência eleitoral dos entrevistados para a eleição presidencial de 2026.
Entre os eleitores do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), 81% apoiam a punição de adolescentes infratores como adultos, enquanto 17% defendem a reeducação.
Já entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 61% se posicionam a favor da punição equivalente à de adultos, enquanto 37% preferem políticas de reeducação.
Rejeição à descriminalização das drogas
A pesquisa também investigou a opinião dos brasileiros sobre a política de drogas no país. Os resultados apontam manutenção de ampla rejeição à descriminalização dos entorpecentes.
Segundo o levantamento, 85% dos entrevistados concordam com a afirmação de que “o uso de drogas deve ser proibido porque toda a sociedade sofre com as consequências”. Outros 13% concordam com a tese oposta, segundo a qual “o uso de drogas não deve ser proibido, porque é o usuário que sofre com as consequências”. Já 2% não souberam responder.
Na edição anterior da pesquisa, realizada em 2022, os percentuais eram de 83% e 15%, respectivamente. De acordo com o Datafolha, a variação observada está dentro da margem de erro, o que indica estabilidade da opinião pública sobre o tema e a manutenção de um cenário consolidado de oposição à descriminalização das drogas no Brasil.
