Crédito, Reuters
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- Author, Rob Stevens
- Role, Da BBC Sport
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E o prêmio para a equipe — cujo país é formado por um grupo de 10 ilhas no Oceano Atlântico — será enfrentar a atual campeã Argentina nas 16 avos de final.
“Lágrimas de orgulho e alegria por toda parte nas arquibancadas”, disse o comentarista da rádio BBC Radio 5 Live, Rob Law, em Houston.
“Houve um momento bonito em que todos estavam reunidos olhando para seus celulares, esperando o apito final. Quando ele soou, as lágrimas correram no campo e também nas arquibancadas. Que momento. O maior momento da Copa do Mundo até agora.”
“É incrível o que eles estão fazendo, não foi apenas um jogo contra a Espanha, são três jogos no mais alto nível”, disse o ex-campeão mundial com a Espanha Juan Mata, à rede britânica ITV.
Como uma nação de apenas 525 mil habitantes, que se classificou nas eliminatórias da Copa na África à frente de Camarões, cinco vezes campeões africanos, chegou tão longe?
Fator diáspora e plano para chegar à elite
A principal razão por trás do sucesso dos Tubarões Azuis — como o time é conhecido — foi a decisão da federação de futebol de Cabo Verde (FCF) de recorrer a jogadores da diáspora do país.
Há fortes ligações com a antiga potência colonial, Portugal. No século passado, uma série de secas severas levou a uma grande emigração das ilhas. Ao mesmo tempo, a tradição marítima e a participação no comércio naval contribuíram para a formação de uma população considerável com raízes cabo-verdianas em Roterdã, na Holanda.
Quatorze membros de seu elenco de 26 jogadores para a Copa do Mundo nasceram no exterior, sendo que seis deles vieram da cidade portuária holandesa.
Um desses, o atacante Dailon Livramento, que na última temporada jogou pelo Casa Pia da primeira divisão de Portugal, marcou o único gol na vitória decisiva da classificação sobre Camarões, em setembro do ano passado.
“A FCF tem feito progressos significativos graças à paixão, ao comprometimento e a um plano técnico bem definido”, afirmou Josina Freitas Fortes, membro do parlamento de Cabo Verde, à BBC.
“Os resultados que estamos vendo são, em grande parte, fruto de anos de trabalho consistente, forte crença e pessoas que dedicaram seus corações ao projeto.”
A convocação do zagueiro Roberto Lopes, nascido em Dublin, por meio do LinkedIn, em 2019, virou uma história bem conhecida em Cabo Verde. Já o ex-ponta do Manchester United, Bebé, integrou o elenco para a Copa Africana de Nações de 2023, após ter representado Portugal na categoria sub-21.
“Há uma confiança interna neste time de que somos bons o suficiente para competir com as melhores equipes do mundo”, disse Lopes.
“Isso não é algo que foi fabricado do nada. Desde que me envolvi, e antes disso, houve um plano contínuo para colocar Cabo Verde na prateleira principal com as grandes nações do futebol mundial.”
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‘Força, unidade, resiliência’
Muito do crédito pelas atuações de Cabo Verde deve ir ao técnico Bubista, ele próprio um ex-jogador da seleção, que está no comando desde janeiro de 2020.
Uma comissão técnica estável permitiu ao ex-zagueiro de 56 anos construir uma equipe compacta e bem treinada, com defesa organizada, meio-campistas técnicos e atacantes talentosos que superaram Gana e empataram com o Egito durante a campanha até as quartas de final na Copa Africana de Nações 2023, tendo feito sua estreia no torneio apenas 10 anos antes.
Vozinha foi quem mais se destacou, por suas sete defesas, no empate sem gols com a Espanha, mas a disciplina dos Tubarões Azuis ficou evidente ao cometerem apenas uma falta contra os campeões de 2010 — o menor número registrado por uma seleção em uma partida de Copa do Mundo desde 1966.
“Sempre treinamos e jogamos como uma unidade, então tudo o que fizemos no jogo não foi a primeira vez que fizemos”, disse o defensor Sidny Lopes Cabral à BBC.
“Para nós, é o nosso jogo. É assim que jogamos, é quem somos. Essa é a nossa personalidade como equipe e como zagueiros.”
Cabo Verde adotou uma abordagem mais ofensiva em sua segunda partida do Grupo H contra o Uruguai, e também demonstrou sua determinação ao marcar um gol de empate no segundo tempo.
“Mais importante do que o resultado é conseguir mostrar nossa identidade como equipe, nossa força, nossa unidade e também nossa resiliência”, disse Bubista.
Bubista foi reconhecido por sua conquista ao garantir a classificação para a Copa do Mundo ao ser nomeado o treinador do ano do continente em 2025 pela Confederação Africana de Futebol.
Ele sempre acreditou que seu time tinha potencial para competir com a elite mundial.
“Fizemos muito bem considerando o quão pequeno é o nosso país”, disse ele à BBC antes da Copa Africana de Nações de 2021, quando os Tubarões Azuis chegaram às oitavas de final.
“Acho que no futuro estaremos na Copa do Mundo”, disse ele, na época.
Essa previsão ousada se concretizou, e agora Bubista espera que as conquistas de Cabo Verde no torneio possam inspirar outros azarões ao redor do mundo.
“Acredito que o futebol pertence a todos ou é para todos”, disse ele.
A recompensa? Argentina no mata-mata
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A recompensa de Cabo Verde agora será enfrentar a Argentina de Lionel Messi em Miami nas oitavas de final na sexta-feira.
“Para nós, nada é impossível”, disse Bubista em entrevista coletiva após o empate com a Arábia Saudita, envolto na bandeira de seu país.
“Desde o início, dissemos que um dos objetivos que tínhamos era mostrar nosso país ao resto do mundo. Poder jogar contra a Argentina e Messi em uma fase como esta é excelente para o nosso país, independentemente da partida em si.”
O meio-campista Deroy Duarte, eleito o melhor jogador da partida contra a Arábia Saudita, disse: “Honestamente, é loucura. Sinto como se estivesse em um sonho. Primeiro, vamos comemorar. Estamos muito felizes. Esperamos que todos os cabo-verdianos também estejam felizes. A partir de amanhã, vamos nos concentrar no próximo jogo.”
“É contra a Argentina, não é? Um jogo difícil, mas vamos acreditar. Tudo é possível.”
O ex-técnico da seleção australiana e hoje comentarista Ange Postecoglou disse à rede britânica ITV: “É simplesmente uma grande história sobre o que é a Copa do Mundo”.
“Costumamos falar sobre como o futebol toca todas as partes do planeta e isto mostra o que ele pode fazer. Isso apenas acrescenta à história deles. Jogar contra os atuais campeões. Que grande história tem sido.”
O ex-zagueiro da Inglaterra e do Manchester United Gary Neville acrescentou: “Acho que aqueles céticos que achavam que expandir a Copa do Mundo não era a coisa certa talvez estejam repensando ao ver esses torcedores de Cabo Verde, porque isso é realmente especial”.
“Um país de 500 mil pessoas chegando à fase mata-mata. Vimos o Uruguai, um dos maiores países, sendo eliminado e depois uma das menores equipes conseguindo a vaga. Que momento para eles.”
