247 – Empresas exportadoras prejudicadas por tarifas dos Estados Unidos, conflitos internacionais e outras barreiras comerciais terão acesso a R$ 18,5 bilhões em novos financiamentos por meio do Brasil Soberano 3. A medida, anunciada pelo governo federal na quarta-feira (22), amplia os setores atendidos e permite financiar desde capital de giro até inovação e abertura de mercados. As informações são da Agência Gov, via Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), e da Agência CNI.
Do total reservado à terceira etapa do programa, R$ 13,5 bilhões virão do Tesouro Nacional e R$ 5 bilhões serão disponibilizados com recursos próprios do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo as fontes oficiais, as linhas buscam preservar a capacidade exportadora brasileira diante do avanço do protecionismo e das instabilidades no comércio mundial.
Os recursos poderão financiar capital de giro, compra de máquinas e equipamentos, investimentos produtivos, pesquisa, inovação tecnológica e adaptações em produtos e processos. Também será possível utilizar o crédito em iniciativas de prospecção comercial e entrada em novos mercados internacionais.
A liberação dos valores depende de uma nova medida provisória encaminhada ao Congresso Nacional na quarta-feira (22). O texto autoriza o uso dos recursos do Tesouro e sua combinação com verbas próprias do BNDES.
O banco ficará responsável por elaborar o plano de aplicação dos financiamentos. A proposta será submetida a um conselho interministerial, cuja composição e regras de funcionamento ainda serão estabelecidas por decreto.
Esse modelo permitirá distribuir os recursos de acordo com os prejuízos enfrentados por cada segmento e sua importância para a economia brasileira. A intenção é priorizar atividades relevantes tanto para a balança comercial quanto para a segurança das cadeias produtivas nacionais.
Programa passa a alcançar exportadores do agronegócio
A nova etapa também ganhou alcance maior após a sanção do Projeto de Lei de Conversão nº 7, de 2026. A proposta original abrangia exportadores de produtos industriais, fornecedores dessas companhias e outros segmentos da indústria considerados relevantes para o comércio exterior.
Durante a tramitação no Congresso, o texto passou a incluir exportadores da agricultura, pecuária, pesca, aquicultura, mineração e produção baseada em florestas plantadas. Cooperativas e associações ligadas a essas atividades também poderão solicitar os financiamentos.
A legislação autoriza ainda que as linhas destinadas à inovação tecnológica cubram mudanças necessárias para atender às exigências impostas pelos mercados compradores.
Entre as adequações financiáveis estão normas sanitárias e fitossanitárias, regras ambientais, sistemas de rastreabilidade e procedimentos de conformidade. Essas exigências podem determinar o acesso de produtos brasileiros a outros países e, em alguns casos, demandam investimentos elevados das empresas.
Tarifas dos Estados Unidos estão entre os focos
Uma das prioridades do Brasil Soberano 3 será atender exportadores brasileiros atingidos pelas tarifas adotadas pelos Estados Unidos com base nas seções 232 e 301 da legislação comercial norte-americana.
As medidas relacionadas à Seção 232 atingem principalmente segmentos como aço, alumínio, automóveis e móveis. Já as tarifas vinculadas à Seção 301 alcançam produtos de madeira, carvão, máquinas, equipamentos elétricos, cerâmicas, plásticos, calçados, papel e açúcar.
Ao disponibilizar crédito para capital de giro e investimento, o governo pretende oferecer condições para que as companhias mantenham a produção, adaptem seus negócios e busquem destinos alternativos para as mercadorias afetadas pelas restrições norte-americanas.
A possibilidade de financiar a abertura de mercados também procura reduzir a dependência de determinados compradores externos. Nesse caso, os recursos poderão apoiar estratégias de diversificação comercial e adequação dos produtos às regras de outros países.
Conflitos internacionais ampliam pressão sobre empresas
O programa também atenderá companhias prejudicadas por conflitos internacionais, especialmente as que mantêm relações comerciais com países do Golfo Pérsico.
A lista de mercados mencionados pelo governo inclui Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Irã, Kuwait e Omã. Instabilidades na região podem afetar rotas marítimas, custos logísticos, prazos de entrega, contratos e condições de pagamento.
Além das empresas diretamente prejudicadas por tarifas ou guerras, o Brasil Soberano 3 poderá beneficiar setores considerados estratégicos para a balança comercial e para a autonomia produtiva do país.
Estão nesse grupo as cadeias de fertilizantes, minerais críticos e estratégicos, produtos químicos, medicamentos, têxteis, veículos, equipamentos eletrônicos, máquinas e materiais elétricos.
Etapas anteriores mobilizaram R$ 37 bilhões
Criado para proteger empresas, postos de trabalho, investimentos e a presença brasileira no mercado internacional, o Plano Brasil Soberano já teve duas etapas antes do novo anúncio.
A primeira foi lançada em 2025 e colocou R$ 16 bilhões à disposição das empresas. A segunda, anunciada em 2026, recebeu orçamento de R$ 21 bilhões.
Até agora, a segunda rodada contabiliza R$ 19,5 bilhões em pedidos apresentados ao BNDES. Desse montante, R$ 10,6 bilhões já foram aprovados pelo banco, o equivalente a pouco mais da metade do valor solicitado.
Os investimentos em ampliação e adaptação da capacidade produtiva, inovação de processos e desenvolvimento de serviços concentram R$ 7,5 bilhões dos pedidos protocolados. Outros R$ 6,1 bilhões foram solicitados para capital de giro.
As operações de capital de giro destinadas especificamente à produção para exportação somam R$ 4,7 bilhões. A aquisição de máquinas e outros bens de capital responde pelos R$ 1,2 bilhão restantes.
Ao todo, 677 projetos foram apresentados ao BNDES na segunda etapa. Desse conjunto, 313 pertencem a micro, pequenas e médias empresas, que representam aproximadamente 46% das propostas protocoladas.
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