A confusão registrada na véspera do comício de Flávio Bolsonaro no Recife ganhou contornos mais graves nesta quinta-feira (17). A Frente Popular de Pernambuco, coligação do candidato ao governo João Campos (PSB), protocolou uma notícia de fato no Ministério Público Eleitoral de Pernambuco (MPE-PE) pedindo a apuração do envolvimento do policial civil Uberdan de Menezes Matos Júnior com a campanha da governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD).
O nome de Uberdan veio à tona depois que um homem identificado como Alexsandro Pereira da Silva foi flagrado em um suposto furto de bandeiras da campanha de Raquel Lyra na Avenida Guararapes, no bairro de Santo Antônio, horas antes do ato de Flávio Bolsonaro no Cais da Alfândega. Antes da Polícia Militar assumir a ocorrência, quem abordou Alexsandro foi o próprio Uberdan, que chegou a efetuar um disparo de arma de fogo e atingiu o homem na perna esquerda.
O ponto central da denúncia da coligação de João Campos é o vínculo comercial do policial: Uberdan integra o quadro societário da Rede de Negócios e Produção de Eventos Ltda., apontada pela plataforma de candidaturas do TSE como a maior fornecedora da campanha de Raquel Lyra, com repasses de R$ 2,5 milhões. Segundo o documento apresentado ao MP, Uberdan figurava como sócio-administrador da empresa até setembro deste ano, quando a função passou para Sandra Nazaré Chagas do Amaral, mãe do policial — movimento que a coligação classifica como possível “interposição de pessoa” para esconder a continuidade do vínculo. A Frente Popular pede ainda a apuração de apropriação de recursos de campanha e possível lavagem de dinheiro, além de lembrar que a Lei 8.112/90 veda a servidores públicos administrar empresas privadas.
Procurada, a defesa jurídica de Raquel Lyra negou qualquer ligação da candidata com Uberdan. O advogado Edgar Moury afirmou que o episódio foi arquitetado pela cúpula do PSB para vincular a governadora à candidatura de Flávio Bolsonaro, e disse que Raquel e a candidata a vice, Priscila Krause, vêm sendo alvo de violência de gênero. Já a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE) confirmou que a Corregedoria Geral abriu um inquérito para apurar a conduta do policial civil que efetuou o disparo, tratando o caso como possível repercussão administrativa.
O episódio se soma a uma sequência de desgastes para a campanha de Raquel Lyra nas últimas semanas e deve ganhar novos capítulos à medida que o MPE-PE e a Corregedoria da SDS avançarem nas investigações, a poucos dias da definição da corrida ao Governo de Pernambuco.
Por: TonyLucas/ focobr.com




