Câncer de pulmão deixa o futuro do papa Leão XIV em aberto

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Câncer de pulmão deixa o futuro do papa Leão XIV em aberto

O Vaticano anunciou na terça-feira (13) que o papa Leão XIV, de 71 anos, foi diagnosticado com câncer de pulmão, e a notícia colocou os 1,4 bilhão de católicos do mundo diante de uma situação que a Igreja já conhece bem: a de um pontífice doente. O diagnóstico veio depois de uma cirurgia na qual os médicos removeram parte do pulmão direito do papa, realizada na própria tarde de terça. Segundo a agência Reuters, o anúncio chegou de forma inesperada e reabriu, em Roma e fora dela, a discussão sobre o que esperar do atual papado.

A surpresa tem uma explicação simples: Leão chegou ao trono de Pedro como a imagem oposta à de seu antecessor. Quando o cardeal norte-americano Robert Prevost apareceu na varanda da Basílica de São Pedro, em maio de 2025, o contraste com Francisco era evidente. Aos 69 anos, jovem para um papa, ele parecia cheio de energia, falava com voz firme e não tinha histórico conhecido de problemas de saúde. Francisco, que morreu aos 88 anos, havia se tornado cada vez mais frágil ao longo de seus 12 anos de pontificado.

Primeiro papa nascido nos Estados Unidos, Leão vinha se firmando como uma voz cada vez mais influente muito além dos muros da Igreja. Ele alertou sobre os riscos representados pela inteligência artificial e chegou a atrair a ira do presidente americano, Donald Trump, ao criticar a guerra no Irã. A expectativa em torno do seu papado era de dinamismo, com muitas viagens ao exterior e um papel de liderança moral no cenário global. Esse quadro, agora, está mais incerto do que estava na segunda-feira.

O que vem pela frente depende, antes de tudo, da evolução clínica. Especialistas médicos afirmam que o prognóstico do papa dependerá de vários fatores, entre eles se o câncer se espalhou para os gânglios linfáticos, algo que ainda não se sabe. John Thavis, especialista em Vaticano e autor, disse à Reuters que é muito cedo para saber como o diagnóstico afetará a agenda de Leão e sua capacidade de exercer as funções do papado. Em sua avaliação, se a recuperação for completa e nenhuma terapia agressiva for necessária, o papa poderá continuar como de costume.

A primeira dúvida concreta diz respeito à viagem de 11 dias que Leão tem programada para o Uruguai, a Argentina e o Peru, de 6 a 17 de novembro. A agenda é considerada de alta prioridade para o papa, que passou décadas como missionário e bispo no Peru e mantém com o país um laço pessoal e pastoral profundo. Cancelar ou encurtar o roteiro seria, portanto, mais do que um ajuste logístico: significaria mexer em um dos compromissos mais simbólicos do início do seu pontificado, anunciado ainda no mês passado.

A programação original faria dessa uma das viagens internacionais mais intensas já realizadas por um papa, com Leão à frente de cerca de 50 eventos e de 36 discursos ao longo de uma turnê por 10 cidades. É um ritmo pesado até para quem está em plena forma, e o Dr. Stephen Liu, especialista em câncer de pulmão da Universidade de Georgetown, em Washington, e chefe da divisão de hematologia-oncologia do MedStar Georgetown University Hospital, disse que a viagem talvez precise ser adiada, dependendo da recuperação do pontífice. Por ora, a Igreja acompanha em silêncio as próximas informações.

Por: TonyLucas/ focobr.com

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