O ajuste fiscal do presidente argentino, Javier Milei, reduziu em 53% o número de novos aposentados no país. Segundo os boletins estatísticos do sistema previdenciário argentino, as entradas caíram de 213,9 mil no primeiro semestre de 2024 para 99,6 mil no primeiro semestre de 2026. A queda expõe o custo social de um ajuste que tem sido elogiado por parte da direita brasileira.
Um dos motivos é o fim da moratória previdenciária, que permitia a quem não completou os 30 anos de contribuição regularizar os períodos em falta. O governo Milei deixou de renová-la a partir de março de 2025, o que fechou a porta de entrada para muitos trabalhadores que não conseguiriam se aposentar de outra forma.
Os valores também perderam poder de compra. Um decreto de março de 2024 passou a atrelar os reajustes à inflação mensal oficial, no lugar da fórmula anterior, que dividia a correção entre salários e arrecadação. Segundo o centro de estudos CEPA, a aposentadoria mínima é cerca de 21% menor do que seria pela regra antiga: 403.327 pesos em junho de 2026, contra 490.621 pelo modelo anterior.
A saúde dos idosos também foi atingida. Desde dezembro de 2024, o programa de remédios gratuitos do PAMI ficou restrito a aposentados que recebem até uma vez e meia o valor do benefício mínimo. O Congresso aprovou três projetos para elevar as aposentadorias, um em 2024 e dois em 2025, e Milei vetou todos, alegando falta de recursos.
Depois do reajuste de 1,66% em outubro, a aposentadoria mínima chegou a 505.748,51 pesos, já contando um bônus de 70 mil pesos, o que equivale a cerca de R$ 1.662. A organização Espaço Gerontovida calcula que esse valor cobre apenas 25% das necessidades básicas mensais de um idoso, estimadas em 2.090.646 pesos.
O tema chegou à campanha brasileira. A economista Daniella Marques, que coordena a equipe econômica de Flávio Bolsonaro, chamou o governo Milei de ótimo exemplo, e a campanha já citou o ajuste argentino como inspiração para um tesouraço nos gastos públicos. Lula cobrou que o adversário explique o que pretende fazer, e Flávio nega planos de mexer em aposentadorias e programas sociais.
Por: TonyLucas/ focobr.com


