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Agendas econômicas de Lula e Flávio não são tão binárias, diz Zeina Latif

Em entrevista ao WW desta terça-feira (21), Zeina Latif, sócia-diretora da Gibraltar Consulting, avaliou as propostas econômicas dos pré-candidatos à presidência Lula e Flávio Bolsonaro. Para ela, o cenário atual representa um verdadeiro vazio de propostas concretas.

“É um deserto total, uma indigência de ideias tremenda”, afirmou Zeina Latif, acrescentando que, do ponto de vista da agenda econômica, a eleição “não é tão binária” quanto muitos poderiam supor.

Mudança de discurso no governo, mas com baixa credibilidade

Zeina Latif apontou que, do lado do governo, há uma sutil — porém relevante — mudança de discurso.

Segundo ela, figuras ligadas à equipe econômica passaram a admitir a necessidade de alterar a regra do salário mínimo e de conter o crescimento dos gastos obrigatórios, além de demonstrar preocupação com o aumento da dívida pública e com a incorporação de algumas despesas ao orçamento.

No entanto, a economista ressaltou que essa mudança retórica tem “baixa credibilidade”, pois, ao mesmo tempo em que prega contenção, o governo sanciona aumentos de gastos e se mostra incapaz de resistir a pautas expansionistas vindas do Congresso.

Lado de Flávio também apresenta fragilidades

Do lado de Flávio Bolsonaro, Zeina Latif observou que não surgiu até o momento um nome de peso na área econômica. Ela mencionou que Daniella Marques é conhecida no mercado, mas não possui o mesmo peso político necessário para transmitir credibilidade.

Além disso, a economista destacou que o próprio Flávio Bolsonaro teria, segundo a imprensa, desautorizado algumas falas sobre ajuste fiscal, o que enfraquece ainda mais a consistência do discurso econômico desse campo.

Capacidade política é o verdadeiro nó

Zeina Latif sublinhou que o problema central não é a falta de diagnósticos — estes já existem dentro da máquina pública —, mas sim a capacidade política de implementar as reformas necessárias.

“Não basta elencar uma lista de reformas”, afirmou ela, lembrando que, no governo anterior, foram realizados furos no teto de gastos, adotadas medidas eleitoreiras e demonstrada falta de convicção quanto à necessidade de ajuste fiscal.

“Nenhum dos lados tem boas histórias”, concluiu a economista, reforçando sua avaliação de que o cenário não é tão polarizado quanto parece, mas tampouco oferece respostas claras sobre como enfrentar os desafios econômicos do país.

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