IníciopolíticaResumos de IA pressionam audiência de portais e reacendem debate na Câmara

Resumos de IA pressionam audiência de portais e reacendem debate na Câmara

Setor cobra remuneração por conteúdo jornalístico, enquanto empresas de tecnologia contestam regras previstas no PL 2338.

Os resumos produzidos por ferramentas de inteligência artificial nos buscadores estão reduzindo o tráfego direto de parte dos portais jornalísticos brasileiros e ampliando o debate sobre remuneração por conteúdo. A avaliação consta de reportagem publicada pela Agência Brasil, que reuniu dados de entidades do setor e posições divergentes sobre o Marco Regulatório da IA.

Uma pesquisa da Associação de Jornalismo Digital, a Ajor, aponta que um em cada quatro dos 152 veículos associados perdeu mais de 20% da audiência em 2025. Segundo a diretora de Relações Institucionais da entidade, Carla Egydio, a queda de acessos vindos das ferramentas de busca compromete a captação de publicidade e aprofunda as dificuldades financeiras enfrentadas pelo jornalismo profissional.

O PL 2338 de 2023, em análise na Câmara dos Deputados desde março de 2025, prevê que empresas de inteligência artificial remunerem o uso de obras e reportagens protegidas por direitos autorais. O texto passou pelo Senado, mas não avançou na Câmara durante o primeiro semestre de 2026, apesar de ter sido apresentado como prioridade pela presidência da Casa.

A assessoria do presidente da Câmara, Hugo Motta, informou à Agência Brasil que a definição de uma data depende da apresentação do parecer pelo relator, deputado Aguinaldo Ribeiro. De acordo com a mesma manifestação, a votação deverá ocorrer somente depois das eleições de outubro. A comissão especial responsável pelo tema não se reúne desde novembro de 2025.

A Federação Nacional dos Jornalistas defende a remuneração como forma de proteger o trabalho profissional, enquanto representantes de empresas de tecnologia alegam que as regras podem dificultar o desenvolvimento de modelos nacionais. Paralelamente, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica investiga desde abril a conduta do Google e possíveis efeitos do uso de conteúdo jornalístico sem pagamento aos veículos responsáveis.

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