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IA pode destravar infraestrutura no Brasil, diz ex-presidente do BNDES






As transformações provocadas pela Inteligência Artificial costumam ser associadas ao setor de tecnologia. Mas, para Gustavo Montezano, CEO da YvY Capital e ex-presidente do BNDES, um dos impactos mais relevantes da nova tecnologia pode acontecer justamente em uma área tradicional da economia: a infraestrutura.

As declarações foram feitas durante participação no programa O Clima na Faria Lima, apresentado por Marina Cançado.

Na avaliação do executivo, a combinação entre Inteligência Artificial, machine learning e automação pode ajudar a resolver gargalos históricos da infraestrutura brasileira, criando uma oportunidade especialmente relevante para países como o Brasil.

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O motivo é que a tecnologia tende a reduzir custos, acelerar projetos e aumentar a produtividade justamente em mercados que ainda enfrentam escassez de capital humano e elevado custo de financiamento.

Por que a IA pode ter mais impacto no Brasil do que nos países ricos

Segundo Montezano, a IA deve acelerar etapas fundamentais do desenvolvimento de projetos de infraestrutura, desde a engenharia até a modelagem financeira.

Hoje, grandes empreendimentos levam anos entre a concepção e a execução, em razão da elaboração de estudos técnicos, licenciamento ambiental, projetos de engenharia e estruturação financeira. Para ele, esse processo deve mudar rapidamente. A tecnologia vai comprimir globalmente o tempo de preparação desses projetos, afirma.

Na visão do executivo, esse benefício será ainda mais relevante em economias emergentes. Onde tem juro alto, você encurtou a duration, o ganho é muito maior do que onde tem juro baixo”, complementa.

Segundo Montezano, quanto maior o custo do capital, maior o ganho econômico proporcionado pela redução do tempo de desenvolvimento dos projetos. Isso faz com que países como o Brasil possam se beneficiar proporcionalmente mais da Inteligência Artificial do que economias desenvolvidas.

Menos erros, mais produtividade e projetos melhores

Outro impacto esperado está na melhoria da qualidade dos projetos. Para Montezano, a IA tende a reduzir falhas de engenharia, planejamento e estruturação financeira, tornando os investimentos mais eficientes e aumentando a previsibilidade dos empreendimentos. Ou seja, a tecnologia vai fazer com que a gente melhore muito a qualidade dos projetos”, diz.

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Além disso, ele acredita que a produtividade das equipes responsáveis pela preparação desses investimentos deve crescer significativamente. Um mesmo cérebro vai produzir N vezes mais projetos do que produz hoje”, acrescenta.

Na prática, isso significa que o mesmo número de profissionais será capaz de estruturar muito mais empreendimentos, reduzindo um dos principais gargalos enfrentados pela infraestrutura brasileira.

De acrodo com o executivo, esse efeito será ainda mais intenso em regiões que sofrem com escassez de profissionais qualificados.

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“O impacto tecnológico da inteligência artificial na pré-infraestrutura vai ser muito maior em regiões de juro alto, baixa educação e escassez de capital humano do que em regiões desenvolvidas”

— Gustavo Montezano, CEO da YvY Capital e ex-presidente do BNDES

Uma oportunidade para destravar investimentos

Para Montezano, a IA não servirá apenas para tornar projetos mais eficientes, mas também para permitir que investimentos considerados inviáveis hoje passem a sair do papel. “A gente vai ter capacidade de processar e colocar ativos em mercados que nunca vimos na história”, afirma.

Essa transformação ganha ainda mais relevância quando combinada ao histórico déficit de investimentos em infraestrutura na América do Sul. O executivo diz que o Brasil ainda possui enormes necessidades em áreas como rodovias, saneamento, portos, logística, armazenagem e mobilidade, o que amplia o potencial de ganhos caso a tecnologia consiga acelerar a preparação desses projetos.

Infraestrutura volta ao centro da economia

Na avaliação do ex-presidente do BNDES, a infraestrutura deve voltar a ocupar posição central na economia global, impulsionada pela demanda crescente por ativos físicos ligados à nova economia.

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Segundo Montezano, investimentos em data centers, segurança alimentar, transição energética, logística e novas cadeias produtivas possuem um elemento em comum: todos exigem grandes projetos de infraestrutura.

Por isso, ele acredita que a próxima década será marcada pela combinação entre Inteligência Artificial e investimentos em ativos reais, criando uma nova onda de crescimento para países capazes de executar esses projetos.

Quem se preparar agora pode sair na frente

Apesar do potencial, Montezano afirma que empresas e profissionais precisarão adaptar rapidamente suas estratégias diante da velocidade das transformações tecnológicas.

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Na avaliação do executivo, olhar apenas para o curto prazo pode fazer empresas perderem oportunidades relevantes nos próximos anos. Por isso, ele recomenda que empresários, investidores e profissionais passem a construir cenários de médio e longo prazo, antecipando as mudanças que a IA deve provocar em diversos setores da economia.

“Quem pensar em três anos e enxergar a disrupção que a gente está tendo em tudo isso pode ter muitos dividendos”

— Gustavo Montezano, ex-presidente do BNDES

Para Montezano, os maiores vencedores não serão necessariamente aqueles que dominarem a tecnologia primeiro, mas aqueles que conseguirem utilizá-la para acelerar investimentos, aumentar produtividade e transformar projetos em ativos reais.

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