Bolsa cai pela quarta vez e mercado volta a reclamar do social

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Bolsa cai pela quarta vez e mercado volta a reclamar do social

O Ibovespa fechou esta quinta-feira (29) em queda de 1,06%, aos 169.186 pontos, a quarta baixa seguida e abaixo da marca dos 170 mil pontos. O dólar subiu 0,89% e terminou cotado a R$ 5,38, depois de duas sessões de recuo, mesmo com a moeda americana em queda lá fora. O volume negociado foi de R$ 41,9 bilhões.

A justificativa do mercado é o chamado temor fiscal. Segundo a Instituição Fiscal Independente, medidas como o Bolsa Família e o pacote para microempreendedores individuais somam R$ 40 bilhões ao desequilíbrio das contas. A alíquota de 11,3% da CBS, o novo tributo que substitui o PIS e a Cofins, também surpreendeu e alimentou o receio de aumento de impostos em 2027.

Outro fantasma rondou os investidores: a possibilidade de mudanças na tributação de investimentos que hoje são isentos. Com isso, os juros futuros subiram, sobretudo nos vencimentos mais longos, com o mercado cobrando um prêmio maior para financiar a dívida pública. Setores sensíveis a juros, como varejo e construção, foram os mais castigados.

Entre as maiores quedas do dia estiveram Minerva, que caiu quase 8%, MRV, com recuo de 6,7%, Direcional e Tenda, ambas com perdas acima de 5%. Do lado das altas, as siderúrgicas Gerdau e Metalúrgica Gerdau subiram mais de 5%, assim como WEG e Embraer. A Ambev recuou mais de 3% depois de divulgar queda no lucro do terceiro trimestre, mesmo anunciando recompra de ações.

O cenário externo também ajudou a derrubar o humor. Wall Street fechou em queda, puxada pelas empresas de tecnologia depois de um balanço decepcionante da Alphabet, e a Nasdaq recuou 1,38%. Na véspera, o Federal Reserve manteve os juros americanos inalterados, numa decisão vista pelos analistas como sinal de paciência, sem mudança de rumo.

Na leitura do FocoBR, o roteiro é velho conhecido. Toda vez que o governo protege quem mais precisa, o mercado chama de risco fiscal e derruba a Bolsa. Bolsa Família e apoio ao pequeno empreendedor não são rombo, são política de quem foi eleito para governar para a maioria. A Faria Lima pode espernear o quanto quiser, mas a urna já falou, e falou pelo social.

Por: TonyLucas/ focobr.com

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