A hashtag #DeportTheBolsonaros, que pede a deportação da família Bolsonaro, está em alta no X nos Estados Unidos pelo terceiro dia seguido nesta quinta-feira (29). O movimento começou com perfis brasileiros logo depois da fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para Miami, mas ganhou corpo entre americanos indignados, influenciadores e até congressistas do Partido Democrata.
A revolta tem endereço. Flávio deixou o Brasil na noite de terça-feira (27), depois de descumprir a ordem do Supremo para entregar os passaportes, e entrou nos Estados Unidos com vistos liberados pelo governo de Donald Trump. Para muitos americanos, o país virou abrigo de quem foge da Justiça da própria casa, justamente enquanto imigrantes comuns são caçados e expulsos todos os dias.
Uma das vozes mais duras é a de Isaiah Martin, candidato democrata ao Congresso pelo Texas. “Vamos deportá-lo no primeiro dia”, escreveu, prometendo expulsar Flávio assim que os democratas tiverem força para isso. Martin chamou os Bolsonaros de criminosos ilegais e de sanguessugas às custas do contribuinte americano, e cobrou investigação sobre o dinheiro público gasto com a segurança e o transporte do senador.
Martin também resumiu o sentimento de boa parte dos americanos que aderiram à hashtag. Segundo ele, fugitivos internacionais costumavam correr para a Rússia para escapar da Justiça e agora escolhem os Estados Unidos porque se sentem seguros com Trump no poder. Chamou isso de nojento e pediu a deportação de quem o presidente deixa entrar.
No Congresso americano, o deputado democrata Joaquin Castro, também do Texas, foi direto ao ponto: “Perder uma eleição não é motivo para asilo”. Castro afirmou que o governo Trump deve explicações ao Congresso sobre o papel que teve na saída de Flávio do Brasil. A pressão subiu de tom com o perfil oficial dos democratas do Comitê de Relações Exteriores da Câmara.
O comitê comparou o tratamento dado a refugiados do Sudão e do Haiti, que enfrentam portas fechadas, com o visto concedido à família Bolsonaro, e criticou o secretário de Estado, Marco Rubio. O economista americano Steve Hanke, professor da Universidade Johns Hopkins, também entrou no debate e escreveu que Flávio fugiu do Brasil para não acabar na cadeia ao lado do pai.
O constrangimento não é novo. Eduardo Bolsonaro já vive nos Estados Unidos, e o ex-deputado Alexandre Ramagem, condenado pela trama golpista, passou a ser tratado pelo próprio governo americano como imigrante ilegal, com processo de deportação aberto. Agora, com Flávio em Miami, a família virou símbolo, aos olhos de muitos americanos, de um tipo de imigrante que chega pela porta da frente e não precisa explicar nada.
Na leitura do FocoBR, a ironia é completa. A família que sempre aplaudiu Trump e a mão pesada contra imigrantes agora vê os próprios americanos pedindo a sua expulsão. O recado das redes é claro: os Estados Unidos não querem ser esconderijo de quem foge da Justiça brasileira. Flávio pode até ter conseguido o visto, mas perdeu a única coisa que tentou vender lá fora, a imagem de perseguido. Para os americanos, ele é só mais um fugitivo.
Por: TonyLucas/ focobr.com




