O ministro da Fazenda, Dario Durigan, entrou no debate econômico do segundo turno para dizer o que a campanha de Flávio Bolsonaro não explicou. Em vídeo publicado nas redes na terça-feira (20), ele rebateu a proposta de dar carência no pagamento de dívidas em atraso e foi direto: nenhum governo tem poder de implementar um calote geral na economia.
A ideia foi apresentada por Flávio no debate da Band, no domingo (18). Pelo plano, pessoas físicas teriam seis meses de carência e empresas, um ano. O governo compraria essas dívidas com desconto negociado com os bancos e ofereceria crédito barato e de longo prazo. O candidato do PL falou em abrir mais de R$ 200 bilhões no Orçamento federal, mas não disse de onde sairia esse dinheiro.
Durigan explicou o efeito prático da suspensão de pagamentos por até um ano: o sistema financeiro deixaria de receber recursos, a oferta de crédito secaria e a conta chegaria a quem menos espera, porque até a devolução de aplicações e depósitos poderia ser afetada. Seriam atingidos o financiamento da casa, a compra de eletrodomésticos, o capital de giro das empresas e o crédito rural.
O ministro também desmontou a ideia de alívio. Carência, lembrou, não é perdão de dívida. Nessa proposta, segundo ele, o brasileiro continua endividado e os juros continuam correndo e aumentando o valor devido. Ou seja, o discurso promete respiro, mas entrega uma bola de neve para quem já está com o orçamento apertado.
A conta que falta, aliás, é o ponto mais frágil do plano. R$ 200 bilhões não aparecem do nada, e uma promessa desse tamanho, sem explicar de onde viria o dinheiro nem quem pagaria a diferença, soa mais como slogan de debate do que como proposta de governo. Até o fechamento desta matéria, a campanha de Flávio não havia respondido às críticas do ministro.
É o tipo de promessa fácil que costuma aparecer quando a eleição aperta, e o eleitor endividado merece mais do que isso. Quando o ministro de Lula aponta que a conta vai parar no crédito de todo mundo, o que ele faz é lembrar ao eleitor que não existe almoço grátis, e que a fórmula do adversário, vista de perto, não fecha.
Por: TonyLucas/ focobr.com




