Dez entidades de servidores públicos declaram apoio ao governo Lula

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Dez entidades de servidores públicos declaram apoio ao governo Lula

A quatro dias do segundo turno, o governo Lula ganhou um reforço de peso no funcionalismo. Dez entidades que representam servidores federais divulgaram em Brasília, na terça-feira (20), o Manifesto em Defesa do Serviço Público, dos Servidores e da Democracia, e deixaram claro de que lado estão: o de quem retomou a mesa de negociação com a categoria.

Assinam o documento nomes de peso, como o sindicato dos auditores da Receita Federal, o dos servidores do Itamaraty, a associação dos diplomatas, os auditores do Trabalho, os servidores do Ipea e os do Orçamento. É gente que lida todos os dias com arrecadação, política externa, fiscalização e planejamento das contas do país, e que sabe o que está em jogo quando o Estado é tratado como inimigo.

O manifesto não cita candidatos pelo nome, mas o recado é direto. As entidades alertam para o risco de reformas administrativas que enfraqueçam a estabilidade, de congelamento ou redução de salários, de restrição a contratações e de demissões em larga escala. Lembram ainda o caso da Argentina de Javier Milei, uma comparação que o próprio Flávio Bolsonaro já fez ao falar de suas ideias para a economia.

O texto também avisa que cortes em gastos sociais podem atingir programas como Farmácia Popular, Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e Pé de Meia, e que desvincular benefícios previdenciários do salário mínimo deixaria aposentados e pensionistas desprotegidos. Para os servidores, estabilidade não é privilégio de categoria, e sim garantia de que o Estado funcione independentemente de quem governa.

Há ainda um ponto sensível: a defesa das investigações de grandes fraudes. As entidades afirmam que suspender ou esvaziar esses trabalhos ameaçaria a transparência e a responsabilização, e é justamente nas carreiras de controle, fiscalização e arrecadação que esse trabalho acontece. Não é pouca coisa quando o país escolhe quem vai comandar a máquina pública pelos próximos quatro anos.

Em tom de reconhecimento, mas sem passar pano, as entidades dizem que o atual governo retomou o diálogo e os reajustes, ainda que os avanços sejam considerados insuficientes para repor as perdas. É a diferença que pesa na urna: com Lula, a categoria tem interlocutor e pauta aberta. Do outro lado, a comparação com Milei já diz muito, e o funcionalismo mostrou que entendeu a mensagem.

Por: TonyLucas/ focobr.com

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