Meta admite que prejudicou Lula, e não foi acaso

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Meta admite que prejudicou Lula, e não foi acaso

A Meta, dona do Instagram, do Facebook e do WhatsApp, foi flagrada admitindo nos bastidores o que negava em público. Mensagens internas da empresa, reveladas pela jornalista Patrícia Campos Mello, na Folha de S.Paulo, mostram funcionários reconhecendo problemas que prejudicaram as contas de Lula no Instagram e a recomendação indevida do perfil de Flávio Bolsonaro, no Instagram e no canal dele no WhatsApp.

Num dos trechos, um funcionário escreve que a conta de Lula estava “limitada” em comparação com a de Flávio, o que seria ruim pela “alta chance” de ação jurídica. Ou seja: dentro da empresa, o desequilíbrio era visto e conhecido. A preocupação registrada era com o risco de processo, e não com o estrago que já estava feito no meio de uma campanha presidencial.

Em 9 de outubro, o perfil de Lula ficou quase 24 horas sem poder impulsionar posts do feed no Instagram. A campanha calcula que cerca de 1,3 milhão de pessoas deixaram de ver os anúncios. A versão oficial foi “problema técnico”, mas as mensagens mostram engenheiros nos Estados Unidos levando horas para resolver e uma funcionária comentando que seria preciso combinar como explicar o caso à campanha de Lula. Combinar a explicação não é o que se faz diante de um acidente.

No início de outubro, Lula não aparecia nem na busca pelo nome exato, enquanto o perfil de Flávio surgia como recomendado, prática que o TSE proíbe e que os próprios funcionários chamaram de “furo”. A justificativa para o presidente da República sumir da busca foi que o nome dele era “muito longo”. Quem aceita uma explicação dessas aceita qualquer uma.

No WhatsApp, quem procurava o canal Exército do Lula encontrava, entre os resultados, a Tropa do Flávio e o PT. O canal, administrado pelo deputado André Janones, foi derrubado por decisão do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, e depois voltou ao ar. Quem procura o exército de um lado acaba empurrado para a tropa do outro, e sempre na mesma direção.

Segundo a Folha, a própria Meta percebia que uma narrativa de interferência na eleição ganhava força e avaliou que seria útil mostrar casos que também atingiram Flávio. Essa não é a postura de quem investiga um erro com honestidade. É a de quem administra uma crise de imagem. A empresa nega tudo: diz que as acusações são falsas e que não dá “tratamento preferencial a candidato, partido ou posição política”.

O TSE já agiu. O ministro Marco Aurélio Bellizze proibiu a Meta de restringir sem justificativa o alcance do conteúdo político de Lula e de Flávio e mandou que a ferramenta de inteligência artificial da empresa não favoreça nenhum dos dois. A ordem veio depois de relatos de que a Meta AI se recusava a criar imagens com o nome de Lula, mas gerava peças com “Flávio” e o número 22. A Meta chamou de “lacuna específica”. Mais uma coincidência, e mais uma vez para o mesmo lado.

Nenhuma das mensagens diz que foi de propósito, e a reportagem faz questão de registrar isso. A Meta jura que foi tudo falha técnica e que aplica as mesmas regras para todos. Mas a leitura do FocoBR é outra: falha que cai sempre sobre o mesmo candidato, repetida às vésperas do segundo turno, numa empresa que tem, segundo a própria Folha, praticamente o monopólio da propaganda eleitoral paga na internet, não é acaso. Foi intencional. E quem decide a eleição é o voto do povo, não o algoritmo de uma big tech, por isso o TSE precisa investigar a fundo e punir quem tentou escolher o presidente por trás da tela.

Por: TonyLucas/ focobr.com

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