A estudante iraniana Najmeh Amini, de 23 anos, foi condenada à morte por um Tribunal Revolucionário do Irã, segundo a agência de direitos humanos HRANA, que divulgou o caso no domingo, 20 de setembro. Cursando contabilidade, a jovem contou em uma mensagem de áudio, gravada de dentro da prisão, que a sentença foi proferida no dia 16. O caso reacende o alerta sobre o uso da pena capital contra quem participou das manifestações que tomaram o país.
Najmeh foi presa em 31 de janeiro, durante buscas na região do Bazar Ferdowsi, em Mashhad, quando os protestos nacionais ainda estavam nas ruas. De acordo com a ONG Hengaw, ela foi espancada no momento da detenção e passou cerca de três meses em isolamento na ala de segurança da Prisão de Vakilabad. A organização afirma que ela sofreu pressão para assinar confissões, prática que entidades internacionais costumam denunciar nos processos políticos iranianos.
Quando se pergunta qual foi o crime, a resposta está nas acusações, e não em algum ato de violência. Segundo a HRANA, ela responde por reunião e conluio e por insultar figuras sagradas e os imãs. A Hengaw já havia listado outras imputações, como moharebe, que significa inimizade contra Deus, colaboração com Israel, ofensas ao Líder Supremo e ao Profeta, além de confronto com um agente do governo. Em resumo, ela é julgada por protestar e por falar.
Há uma divergência importante nas informações. Em agosto, a própria Hengaw havia noticiado uma pena de 12 anos, 6 meses e 1 dia de prisão, imposta pelo Ramo 1 do Tribunal Revolucionário de Mashhad, sob a acusação de ação operacional contra a segurança nacional. A condenação à morte agora relatada não foi confirmada pelas autoridades iranianas, e tudo o que se sabe vem de organizações de direitos humanos e do relato da própria estudante.
Do presídio, Najmeh afirmou ser uma jovem inocente e pediu que sua voz fosse ouvida. É o tipo de apelo que costuma chegar tarde, depois que o mundo já se acostumou à ideia de que um tribunal sem defesa livre pode decidir sobre a vida de quem foi às ruas. Hoje ela está na ala conhecida como Aramesh, e não há informação pública sobre recursos, prazos ou data para uma eventual execução.
O caso não é isolado e mostra como regimes que se dizem defensores da fé tratam a divergência: com prisão, tortura e, agora, a ameaça da forca contra uma estudante de 23 anos. Seja qual for a sentença final, a pressão internacional e a atenção da imprensa livre são, neste momento, a principal proteção que Najmeh Amini tem. O FocoBR segue acompanhando o desdobramento.
Por: TonyLucas/ focobr.com

