A coligação Unir para Mudar e o candidato Ciro Gomes (PSDB) protocolaram nesta quarta-feira (14), no Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE), um pedido para cassar a chapa formada por Elmano de Freitas (PT) e Gabriella Aguiar, eleitos no primeiro turno para o governo do estado. A ação reabre a disputa nos tribunais e coloca sob questionamento o resultado das urnas de 4 de outubro, num movimento que, se prosperar, pode redesenhar o cenário político cearense logo após a votação.
O pedido não se limita à cassação. Ele inclui também a anulação dos votos, a declaração de inelegibilidade de Elmano e a realização de novas eleições, uma consequência direta da anulação de mais da metade dos votos válidos. O processo já foi protocolado e está na Corregedoria do Tribunal, onde será analisado antes de qualquer decisão. Até aqui, trata-se apenas de uma representação da campanha derrotada, que ainda precisa convencer a Justiça Eleitoral.
A peça enviada ao TRE sustenta que houve abuso de poder midiático por parte da campanha de Elmano na semana anterior ao pleito. Segundo a argumentação, esse movimento teria restringido o espaço de propaganda da campanha de Ciro, o que teria gerado uma assimetria comunicacional entre os dois candidatos e favorecido a reeleição do petista. É esse desequilíbrio na exposição, afirma a coligação, que justificaria a anulação do resultado e a convocação de um novo pleito.
Num dos pontos centrais, a campanha de Ciro cita decisões do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli sobre a exibição de propaganda eleitoral, que teriam trazido vantagem ao petista. O ministro atendeu a um recurso de Elmano e determinou que sua campanha teria direito a veicular propagandas por mais 30 segundos por inserção, além do tempo que a coligação adversária já tinha. A medida valeu entre os dias 2 e 3 de outubro, depois que o horário eleitoral gratuito já havia deixado de ser obrigatório. Antes disso, o TRE-CE havia retirado de Elmano esse tempo por inserção, como punição por uma propaganda que associava Ciro à família Bolsonaro.
Elmano de Freitas foi reeleito no primeiro turno com 53,19% dos votos, contra 46,22% de Ciro. Logo após o resultado, o tucano se manifestou nas redes sociais contestando a vitória. Ele escreveu que não cumprimentou o candidato vencedor porque, em sua avaliação, Elmano não ganhou, e disse ter a sensação de que o resultado foi roubado. Ciro também responsabilizou Toffoli, ex-advogado do PT e ministro do STF nomeado pelo presidente Lula, pelo que chamou de fraude final contra a sua campanha.
Procurada pelo jornal O Estado de S. Paulo, a campanha de Elmano de Freitas respondeu que lamenta que Ciro Gomes continue desrespeitando a democracia e questionando o resultado legítimo das urnas. Agora, caberá ao TRE-CE decidir se o pedido tem fundamento e se segue adiante, num caso que mistura disputa política, interpretação da lei eleitoral e a repercussão de uma eleição que o próprio candidato derrotado insiste em não reconhecer.
Por: TonyLucas/ focobr.com




