Flávio Bolsonaro (PL), candidato ao Planalto, recuou e cancelou sua participação no ciclo de sabatinas do Jornal da Record. Às vésperas da data marcada, o senador avisou à emissora que não vai mais aos estúdios responder aos jornalistas Eduardo Ribeiro e Mariana Godoy. Trocou o confronto ao vivo pelo conforto de continuar falando só pelas redes sociais, onde ninguém repergunta.
A comparação é inevitável e não favorece Flávio. Dias antes, foi Lula (PT) quem abriu a série de entrevistas da Record, no mesmo cenário, com os mesmos apresentadores, e enfrentou 30 minutos de perguntas duras sobre economia, segurança pública e reforma do Judiciário — sem vetar tema, sem fugir. Um foi ao ar. O outro fugiu do ar. A diferença de postura fala por si.
O motivo do sumiço tem nome e valor: Daniel Vorcaro e o projeto Dark Horse. O ex-banqueiro, hoje preso após operações da Polícia Federal, canalizou pelo menos R$ 69,5 milhões para financiar a cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. Relatórios do Coaf e apurações da PF já desmentiram a versão de Flávio de que os repasses teriam parado em maio de 2025 — foram encontrados pagamentos adicionais e cobranças diretas por mensagem, o que alimenta a suspeita de que o filme funcionou como fachada para lavagem de dinheiro e pagamento de propina.
Fugir das câmeras não apaga a pergunta, só adia a resposta. Ao evitar o Jornal da Record, Flávio deixa claro ao eleitor que não tem explicação plausível para os milhões recebidos de um banqueiro preso — e que, entre governar o país e explicar de onde veio esse dinheiro, prefere não fazer nem uma coisa nem outra.
Por: TonyLucas/ focobr.com




