Mais uma vez a militância que cerca a governadora Raquel Lyra vira dor de cabeça para a própria candidata. No ato de campanha realizado no Recife, o que era para ser só um dia de agenda eleitoral terminou em confusão generalizada: relatos de tapas, empurra-empurra e até um disparo de arma de fogo em meio à multidão. Imagens obtidas pelo FocoBR mostram bandeiras e materiais de campanha espalhados pelo chão, sob uma marquise, enquanto homens se confrontam diante de apoiadores.
O clima do evento já vinha tenso antes da confusão. Foi ali que o senador Mendonça Filho, nome preferido de Raquel Lyra para o Senado, chamou publicamente o adversário Eduardo da Fonte de “melancia: verde por fora, vermelho por dentro”, numa clara tentativa de desidratar a candidatura do concorrente junto ao eleitorado de direita. A fala, que já havia repercutido nos bastidores da política pernambucana, mostra o nível de disputa interna dentro do campo que apoia a governadora. Advogado da governadora fala que foram ataques de infiltrados e como sempre a vitimização, falando que é por serem mulheres, ela e a vice que estão sofrendo ataques constantes.
As imagens que circulam mostram um homem identificado como Uberdan de Menezes Matos Junior em confronto direto com outro participante do ato, caído no chão em meio às bandeiras. Uberdan não é uma figura qualquer: segundo a Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais do TSE, ele é sócio-administrador da Rede de Negócios e Produção de Eventos LTDA, empresa que recebeu R$ 2,5 milhões da campanha de Raquel Lyra — sozinha, 33% de tudo que a campanha arrecadou até agora. O detalhe que chama atenção é que essa empresa aparece com situação cadastral “Inapta” perante a Receita Federal, ou seja, irregular, o que não impediu o repasse milionário.
Testemunhas relatam ainda que um policial ligado à estrutura de Raquel Lyra estaria entre os presentes no momento da confusão, o que reforça a suspeita de que a segurança armada de agentes públicos estaria sendo usada em benefício da militância da governadora. O episódio, somado ao histórico de operadores pagos e empresas de fachada girando em torno da campanha, aumenta a pressão sobre a candidata em um momento decisivo da corrida ao Palácio do Campo das Princesas.
Não seria surpresa se a governadora optasse, mais uma vez, pelo script de sempre diante do episódio: negar qualquer ligação com a confusão, tentar transferir a responsabilidade ao ex-governador Paulo Câmara e recorrer ao discurso de vitimização por ser mulher e pernambucana, evitando explicar por que uma empresa inapta segue recebendo milhões de sua campanha.
Por: TonyLucas/ focobr.com




