O avanço do agronegócio pelo Cerrado e pelo Pantanal está deixando um rastro de destruição silenciosa: entre 2017 e 2020, 766 tamanduás-bandeira foram encontrados mortos ao longo de rodovias em Mato Grosso do Sul. O número cresceu junto com a abertura de novas estradas para escoar a produção agrícola, e o resultado é uma espécie de movimentos lentos sendo dizimada por um trânsito cada vez mais intenso.
Foi esse cenário que levou o fotógrafo e biólogo paulista Fernando Faciole, Explorador da National Geographic, a passar três anos documentando a rotina de quem tenta reverter esse quadro. Ele acompanhou biólogos e veterinários monitorando os animais no habitat natural, mas também testemunhou de perto o lado mais duro da história: os atropelamentos nas margens da BR-262, uma das rodovias mais fatais do mundo para a vida selvagem, e os filhotes órfãos que sobram depois que as mães morrem na pista.
Do encontro na infância à missão de uma vida
Faciole conta que sua relação com os tamanduás-bandeira vem da adolescência, quando viu um pela primeira vez pescando com o pai no interior do Brasil. Anos depois, um encontro inesperado na Costa Rica reacendeu o fascínio, e em 2023 o convite do Wild Animal Conservation Institute para documentar a situação da espécie no país transformou essa afeição pessoal em um projeto de fôlego. O trabalho ganhou um rumo mais urgente quando um dos tamanduás que a equipe monitorava, batizado de Ty, foi atropelado um dia depois de ter sua coleira ajustada.
A partir daí, o fotógrafo passou a dividir o tempo entre buscas ao longo das estradas — muitas vezes ao lado da veterinária Grazielle Soresini, saindo de madrugada para aproveitar a luz e registrar os animais atingidos durante a noite — e visitas a centros de reabilitação espalhados pelo país, onde filhotes órfãos recebem mamadeira e cuidados 24 horas por dia até estarem prontos, se estiverem, para voltar à natureza.
Apesar do peso emocional do trabalho, Faciole também encontrou motivo para esperança: cercas mais eficientes e passagens de fauna já vêm sendo testadas em pontos críticos da BR-262, dentro de um plano federal de mitigação. Para ele, se o modelo funcionar, os tamanduás-bandeira podem se tornar o símbolo de uma solução replicável em outras rodovias do Brasil, tornando as estradas mais seguras tanto para os animais quanto para quem dirige.
A reportagem completa, com fotos que documentam desde o resgate de filhotes até o cotidiano duro das buscas nas margens da rodovia, foi publicada pela National Geographic Brasil.
Por: TonyLucas/ focobr.com


