Enquanto mira Moraes, Mendonça poupa Toffoli e filhos de Fux e Kássio Nunes Marques em apurações do caso Master

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Enquanto mira Moraes, Mendonça poupa Toffoli e filhos de Fux e Kássio Nunes Marques em apurações do caso Master

Enquanto concentra munição contra Alexandre de Moraes no caso Banco Master, o ministro André Mendonça tem deixado de lado conexões semelhantes que também envolvem outros colegas do Supremo Tribunal Federal, segundo revelação da Revista Fórum. O tratamento desigual reacende a discussão sobre a seletividade da investigação conduzida por Mendonça às vésperas do julgamento que discute o próprio relatório da PF contra Moraes.

Um dos casos ignorados envolve o presidente do STF, Dias Toffoli. Documentos mostram que a empresa familiar dele, a Maridt Serviços, era sócia do Resort Tayayá, no Paraná, e que entre 2021 e 2025 o fundo Arleen — geridо por Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro — fez aportes direcionados ao empreendimento, com recursos que teriam chegado à própria empresa de Toffoli. Mesmo com a documentação disponível, Mendonça não abriu qualquer apuração sobre o assunto.

Outro nome poupado é o do ministro Kássio Nunes Marques. Segundo a reportagem, o filho dele, o advogado Kevin Nunes Marques, de 25 anos, recebeu R$ 281,6 mil por meio de uma triangulação financeira que passou pelo Banco Master, por uma empresa chamada Consult Inteligência Tributária e, por fim, pelo escritório do próprio Kevin — sendo que o banco repassou R$ 6,6 milhões à Consult entre 2024 e 2025. Ainda de acordo com a apuração, Mendonça não solicitou quebra de sigilo nem pediu informações à Procuradoria-Geral da República sobre o caso. Um terceiro episódio cita o filho do ministro Luiz Fux, Rodrigo Fux, a quem Vorcaro teria oferecido convites vip para o Carnaval e discutido parcerias comerciais; Rodrigo confirmou os contatos, mas negou ter recebido qualquer valor.

Para a reportagem, a escolha de Mendonça de mirar apenas Moraes representa “uma escolha rigorosamente calculada e politicamente desenhada”, que serviria estrategicamente à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro ao expor um desafeto declarado do bolsonarismo enquanto protege ministros com relações mais próximas do campo político conservador. O episódio chega horas antes da sessão extraordinária do STF que vai justamente julgar o relatório produzido por Mendonça contra Moraes.

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