A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira (14) mais uma fase da operação que apura suspeita de comercialização de decisões em tribunais superiores, com diligências autorizadas pelo ministro Flávio Dino, do STF. O principal alvo é o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), aliado histórico do ministro André Mendonça. Sua esposa, a advogada Valéria Rodrigues Linhares, também é investigada.
Cezinha foi um dos articuladores que ajudaram a viabilizar a indicação de Mendonça ao STF em 2021: à época, presidia a Frente Parlamentar Evangélica e chegou a acompanhar reuniões com o então presidente Jair Bolsonaro e o senador Ciro Nogueira para costurar a aprovação do nome no Senado.
A investigação foi aberta em dezembro de 2025, inicialmente para apurar suspeitas envolvendo emendas parlamentares. Ao longo do inquérito, a PF identificou indícios de que integrantes do grupo teriam negociado com terceiros o pagamento de valores condicionados ao resultado de processos em curso em tribunais superiores.
O inquérito também apura uma reunião intermediada por Cezinha entre Mendonça e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, ocorrida em março de 2025 no Instituto Iter, ligado ao ministro, sem constar da agenda oficial. Mensagens obtidas pela investigação indicam que os dois discutiram problemas do banco junto ao Banco Central. Já em agosto de 2026, a PF apreendeu R$ 510 mil em espécie com Valéria Rodrigues Linhares no Aeroporto de Congonhas; ela havia declarado inicialmente apenas R$ 400 mil, e a defesa alega que o valor tem origem em honorários advocatícios.
Em nota, o gabinete de André Mendonça afirmou que o ministro apenas ouviu Vorcaro durante o encontro e que, posteriormente, votou contra os interesses do Master em julgamento relacionado ao banco. A própria Polícia Federal fez a ressalva de que, até o momento, não há elementos que indiquem participação de integrantes do Poder Judiciário nos fatos apurados.




