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Plano de Infantino para investimento privado na Fifa nasce e morre sem manifestação formal da CBF

Fifa quer vender ações da Copa do Mundo para investidores privados

Pouco mais de uma semana após o fim da Copa do Mundo, a Fifa anunciou a criação de uma empresa para administrar suas atividades comerciais, atrair investidores. Crédito: AFP

A Fifa anunciou nesta sexta-feira que desistiu da criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), empresa vinculada à entidade que receberia investimento privado. O projeto gerido pelo presidente Gianni Infantino teve repercussão negativa e gerou ameaças de boicotes a competições.

Diante de toda a repercussão, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) manteve-se em silêncio, pelo menos de forma oficial. A entidade dirigida por Samir Xaud é filiada à Conmebol, que rege o futebol sul-americano e foi a última confederação continental a se manifestar oficialmente sobre o assunto.

Mandatário da Fifa, Gianni Infantino, ao lado de Samir Xaud, presidente da CBF. Foto: WILTON JUNIOR/ ESTADÃO

O comunicado foi feito na tarde desta sexta-feira, antes da desistência da Fifa. No texto, a Conmebol informou que iria debater o tema com seu conselho e que havia iniciado “um processo de consulta junto às suas Associações Membro”, o que inclui a CBF.

Embora não tenha se posicionado contra ou a favor, o discurso da Conmebol tratou de temas muito semelhantes aos vistos nos pronunciamentos de federações claramente contrárias ao projeto da Fifa, como Uefa e Concacaf. A mensagem trouxe sinais de alerta sobre a “essência do esporte”, mas sem atacar diretamente a entidade.

Em contrapartida, a reação mais enfática partiu da Uefa, que dirige o futebol europeu. A instituição rejeitou de forma unânime o plano de Infantino e declarou que todos os seus 55 membros estariam dispostos a boicotar todas as competições organizadas pela Fifa, incluindo a Copa do Mundo.

“Nenhuma seleção da Uefa vai participar de competições da Fifa enquanto estas propostas estiverem vivas, a não ser que ela seja inteiramente abandonada e haja garantias de que a Fifa nunca mais abrirá sua governança ou suas competições à propriedade privada”, disse o comunicado da Uefa.

Já a Concacaf, que administra as federações da América do Norte, Central e Caribe, também foi veementemente contra a ideia apresentada pela entidade máxima do futebol. Em nota, alegou que “o futebol deve se manter nas mãos do futebol”.

Gianni Infantino (esq.) ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Werther Santana/Estadão

“A Concacaf é uma confederação unida pelo amor ao nosso esporte, onde o futebol vem em primeiro lugar”, escreveu. “Construímos uma organização fundamentada na prestação de serviços, na governança transparente e na gestão responsável do futebol a longo prazo”, argumentou a Concacaf.

A Confederação Asiática de Futebol (AFC) se alinhou à Uefa e à Concacaf e expôs sua insatisfação com o processo da Fifa. “Tendo em conta a posição manifestada pela Uefa e Concacaf, além das divisões sem precedentes que surgiram no mundo do futebol, a AFC considera que a FFE (Fifa Forward Enterprise) proposta não pode, de forma realista, alcançar o amplo consenso e a unidade necessários para seguir em frente”, destacou.

Já a Confederação Africana de Futebol (CAF) e a Confederação de Futebol da Oceania (OFC) optaram por um discurso mais neutro, semelhante ao da Conmebol. Os africanos decidiram convocar reuniões de seu comitê executivo, enquanto o representante da Oceania propôs conversar com as demais federações para avaliar os efeitos que a criação da Fifa Forward Enterprise poderia trazer.

Apesar do posicionamento das confederações, nem todos os membros estiveram alinhados aos seus pares. Diferentemente da Concacaf, que se manifestou contra o projeto, os mexicanos afirmaram que avaliariam o caso.

“A Federação Mexicana de Futebol foi notificada pela Fifa em 28 de julho de 2026 a respeito da proposta do presidente, Gianni Infantino, de aumentar a receita do programa Fifa Forward, principal veículo para promover o desenvolvimento positivo do futebol no mundo, com base em um novo modelo financeiro”, escreveu.

Ainda na Concacaf, os Estados Unidos declararam apoio à posição da Confederação. “A U.S. Soccer apoia a Concacaf e seus membros”, trouxe a entidade em suas redes sociais.

Na Ásia, a Indonésia também se pronunciou, mostrando-se a favor da iniciativa apresentada pela Fifa. Já na Oceania, a Nova Zelândia afirmou que essa deveria ser uma decisão individual, independente da OFC, e destacou a necessidade de uma “avaliação legal e financeira necessária para permitir qualquer análise robusta da questão”.

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