O eBay e três ex-altos executivos concordaram em pagar US$ 55,7 milhões para resolver um processo movido por um casal de Massachusetts que foi vítima de uma bizarra campanha de stalking e assédio conduzida por vários de seus funcionários, em retaliação à cobertura que faziam da empresa de comércio eletrônico em um boletim informativo que publicam.
David e Ina Steiner anunciaram o acordo na tarde de segunda-feira (27), encerrando um caso que abriram em 2021 no tribunal federal de Boston, após vários ex-funcionários do eBay serem processados por tê-los como alvo em uma campanha de cyberstalking que envolveu o envio ao casal de baratas, larvas de mosca e uma máscara de porco ensanguentada de Halloween.
Como parte do acordo, o eBay concordou em pagar US$ 46,15 milhões ao casal; financiar US$ 6 milhões em contribuições beneficentes a organizações sem fins lucrativos; e emitir uma declaração “contundente” sobre a conduta de três de seus ex-altos executivos.
“Acreditamos que esta resolução envia uma mensagem clara de que empresas e seus executivos não podem se envolver nesse tipo de conduta inadequada sem enfrentar consequências significativas”, disse Christopher Murphy, advogado dos Steiner, em um comunicado.
O eBay afirmou em um comunicado que o que aconteceu com os Steiner foi “errado, reprovável e jamais deveria ter acontecido”.
“Continuamos a estender nossas mais profundas desculpas aos Steiner”, disse a empresa. “Este acordo é consistente com nosso compromisso de compensar os Steiner de forma justa e cumpre nossos esforços para reparar o que foi feito.”
Sete ex-funcionários do eBay se declararam culpados e receberam penas de até 57 meses de prisão por participar do esquema, que também envolveu alguns deles viajando da Califórnia até Natick, Massachusetts, para vigiar os Steiner e tentar instalar um dispositivo de rastreamento GPS no carro deles.
Os promotores afirmaram que o objetivo era silenciá-los após executivos seniores considerarem o boletim informativo deles, o EcommerceBytes, crítico à empresa.
A campanha teve início depois que o então CEO Devin Wenig, em agosto de 2019, enviou uma mensagem de texto a Steve Wymer, então diretor de comunicações, dizendo que era hora de “derrubá-la”, referindo-se a Ina Steiner, de acordo com os promotores e os Steiner.
O próprio eBay foi criminalmente indiciado e concordou em 2024 em pagar uma multa de US$ 3 milhões.
Wenig, ex-executivo da Thomson Reuters que deixou o cargo de CEO do eBay em setembro de 2019, nunca foi indiciado.
Seus advogados argumentaram que ele não tinha conhecimento nem envolvimento na campanha de assédio e que suas mensagens defendiam uma estratégia de relações públicas para lidar com as reportagens de Ina Steiner.
Como parte do acordo, os advogados dos Steiner informaram que Wenig pagará a eles US$ 2 milhões e fará uma doação de US$ 1 milhão a uma instituição de caridade voltada à proteção dos direitos da Primeira Emenda em nome de Ina Steiner.
“Ninguém deveria jamais ter sido submetido ao que os Steiner suportaram em 2019, e isso me entristece, especialmente porque ocorreu durante meu período como CEO do eBay”, disse Wenig em um comunicado na terça-feira (29). “Esse comportamento é contrário a tudo o que defendo e acredito.”
Wendy Jones, que anteriormente ocupou o cargo de vice-presidente sênior de operações globais, e Wymer pagarão ao casal US$ 500.000 e US$ 50.000, respectivamente, segundo os demandantes. Seus advogados não responderam aos pedidos de comentário.
Os advogados dos Steiner informaram que acordos adicionais foram fechados com todos os demais funcionários do eBay mencionados em seu processo.


