O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, confirmado neste domingo (26) como candidato à Presidência na convenção nacional do PSD, em São Paulo, aposta na própria biografia para tentar evitar um segundo turno antecipado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), que lideram a corrida eleitoral.
Com menos de 5% nas pesquisas de intenção de voto, o ex-governador sabe que precisa ir para o tudo ou nada para conseguir atrair a atenção do eleitorado de direita. Após uma pré-campanha discreta nas críticas a Flávio, o candidato do PSD subiu o tom contra o adversário do PL, de olho no desgaste do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro diante das sucessivas crises enfrentadas nas últimas semanas.
Antes de sonhar em subir a rampa do Palácio do Planalto, Caiado sabe que seu principal desafio é se descolar do pelotão de candidatos que aparecem na parte de baixo das pesquisas e convencer o eleitor de centro-direita de que tem fôlego para crescer fora da polarização.
Na entrevista coletiva deste domingo, Caiado apresentou o que deve ser um dos principais mantras da campanha: ele tem mais condições de derrotar Lula em um eventual segundo turno, enquanto votar em Flávio seria, na prática, facilitar a reeleição do petista.
O ex-governador aposta na fragilidade dos votos do senador e na desconfiança de parte do eleitorado bolsonarista diante das crises enfrentadas pelo primogênito do clã Bolsonaro. Sem citar o nome de Flávio, Caiado afirmou que o país não precisa de um candidato “Kinder Ovo”, com uma “surpresinha” a cada dia.
Não é à toa que o ex-governador fez um discurso calibrado para atacar tanto Lula quanto Flávio. O objetivo é convencer o eleitorado de que ele representa a alternativa antipetista capaz de impedir um quarto mandato do atual presidente.
“Podem ter certeza de que, para governar um país, é preciso independência moral e coragem pessoal. Coragem para amanhã liberar e libertar o país do sequestro do PT e das facções, de não ter candidato que seja um Kinder Ovo, com uma surpresinha todo dia”, disse.
Caiado busca marcar diferença em relação a Lula e a Flávio ao citar sucessivos escândalos de corrupção e apresentar a própria biografia como um contraponto aos adversários. O ex-governador afirmou ainda que a oposição precisa de um candidato preparado para representá-la no segundo turno.
“Precisa de um candidato que tenha vida pregressa, que nunca se envolveu em Rachadinha, em Mensalão, em Petrolão, em escândalo do Master, em assalto a aposentados e em tantos outros escândalos que aconteceram em todos esses anos em que governam o país”, completou.
No discurso, Caiado criticou a polarização e afirmou que as “brigas inúteis” servem apenas para que Lula e Flávio se retroalimentem. Em outro momento, disse que a “polarização é o máximo da estupidez”.
Na entrevista, o ex-governador também explorou a aprovação de sua gestão em Goiás e reforçou o discurso de linha dura na segurança pública.
“Não é possível que o Brasil vá querer optar por aqueles que são os maiores rejeitados da política nacional. A eleição não é uma eleição de rejeitados, é de quem traz resultados para a população brasileira. Foi isso que demonstramos. Chegamos ao governo com 52% dos votos e saímos com 88% de aprovação, mostrando que, quando se tem capacidade para governar, a população reconhece”, afirmou.
“O Brasil precisa, nesta hora, de alguém que tenha coragem de comprar a briga pelo cidadão. Não é a briga inútil, a briga pelo poder ou pela vaidade. Um se retroalimenta na vaidade do outro. Cada um faz uma fala agressiva para tentar desviar o foco da campanha eleitoral. Eles não têm propostas”, completou.
A ofensiva de Caiado tem um cálculo político: ser notado pelo eleitorado e encerrar agosto, após o início do horário eleitoral na televisão, com cerca de 10% das intenções de voto. A meta é ganhar tração na reta final da campanha e ameaçar o roteiro de um duelo entre PT e PL no segundo turno.

