InícioesporteComo Ancelotti ‘resgatou’ titular da seleção brasileira após 10 anos ausente

Como Ancelotti ‘resgatou’ titular da seleção brasileira após 10 anos ausente

‘Que a gente faça 3 gols no domingo, porque 2 do Haaland a gente vai tomar!’

Para Mauro Beting, tomar gol do Haaland deve ser considerado normal pela seleção brasileira. Crédito: edição: Gabriel Alegreti

Talvez, se falassem para Douglas Santos há um ano que ele seria o titular da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026, ele chamaria o interlocutor de maluco.

Carlo Ancelotti o resgatou para a seleção brasileira após mais de dez anos sem vestir a camisa da equipe principal. Sua única partida havia sido em maio de 2016, em amistoso contra o Panamá, na segunda passagem de Dunga pela seleção. Naquele ano, na Olimpíada do Rio, o lateral-esquerdo foi titular na campanha do inédito ouro com a equipe sub-23.

Douglas Santos foi titular nos quatro jogos do Brasil nesta Copa do Mundo, com boas atuações. O lado esquerdo transmite segurança, diferentemente da direita, setor em que Ancelotti perdeu seus dois preferidos: Éder Militão, zagueiro que seria improvisado na lateral, e Wesley. Ambos perderam a Copa por lesão. Danilo, de 34 anos, vem sendo o titular, com mais baixos do que altos, e seu reserva é Ibañez, zagueiro sem muito cacoete de lateral.

Na esquerda, o plano de titularidade era para Alex Sandro, do Flamengo, um dos homens de confiança de Carletto. Mas o jogador está fisicamente abaixo de Douglas Santos. Em uma Copa que tem sido marcada pela força física, a vitalidade de Douglas Santos lhe garantiu a vaga, mas não foi só isso.

WS EUA 26/06/2026 – WORlD CUP / COPA DO MUNDO 2026 – TREINO SELEÇÃO BRSILEIRA – ESPORTES – TREINO SELEÇÃO BRASILEIRA. Na foto Neyma e Douglas Santos, durante seleção brasileira que treina no Columbia Park, centro de treinamento do New York Red Bulls, nesta manhã sexta (26). A Seleção volta a campo às 14h (de Brasília) na segunda-feira, em Houston, para enfrentar o Japão pela segunda fase da Copa do Mundo. FOTO:Werther Santana/Estadão Foto: Werther Santana/Estadão

“O Mister tem falado comigo bastante que eu tenho crescido muito defensivamente no Zenit”, disse Douglas no início da campanha brasileira no Mundial.

O fator defensivo foi decisivo para Douglas Santos ser relembrado pela comissão técnica da seleção tanto tempo depois. Mesmo atuando pelo Zenit, da Rússia, que não pode disputar as principais competições de clubes da Europa por causa da suspensão imposta pela Fifa após a guerra com a Ucrânia, o lateral seguiu sendo observado. Revelado pelo Náutico, vendido jovem à Udinese, onde jogou pouco, e depois se destacando pelo Atlético-MG antes de ir para o Hamburgo e, posteriormente, para o Zenit, o jogador foi evoluindo como bom marcador.

Quando assumiu a seleção, Ancelotti e seus auxiliares identificaram o óbvio: o Brasil tem deficiência nas laterais. A ideia, então, foi buscar atletas que rendessem defensivamente e servissem de suporte para que, ofensivamente, jogadores como Vini brilhassem. Foram observados, por exemplo, Carlos Augusto, da Inter de Milão, e Kaiki Bruno, revelação do Cruzeiro que certamente terá chances no próximo ciclo.

Douglas Santos apareceu na lista de convocados para os jogos de setembro de 2025, ainda pelas Eliminatórias. O nome foi lembrado por Davide Ancelotti, filho de Carletto, que já era técnico do Botafogo, mas havia levado a opção ao pai algum tempo antes, após conversar com colegas do futebol europeu. Titular contra o Chile, na vitória por 3 a 0 pelas Eliminatórias, agradou e passou a ser figurinha carimbada nas convocações de Ancelotti.

“O Mister tem me acompanhado junto com o staff. Tem pedido para que eu desfrute. Sabe das minhas características e, graças a Deus, tem dado certo. Tenho focado ao máximo para entregar o melhor para a Seleção e para defender bem”, afirmou Douglas.

São 11 jogos de Douglas Santos pela seleção principal, dez deles na era Ancelotti. Em 2026, ao lado de Matheus Cunha e Vinícius Júnior, foi quem mais vezes entrou em campo pela seleção, entre amistosos e a Copa do Mundo: oito partidas.

“É muito bom ter a confiança do treinador. Esperamos retribuir com boas atuações na Copa”, disse Douglas Santos.

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