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Quem é Zion Suzuki, aposta do Japão contra o Brasil na Copa e primeiro goleiro negro da seleção

Não podia haver Copa do Mundo melhor do que a de 2026

Infantino acertou mesmo que baseado em interesses políticos e financeiros. Crédito: Mauro Beting / Estadão

Jovem, rápido, com boa saída de bola e elogiado por Ancelotti, o goleiro Zion Suzuki é uma das principais apostas de Hajime Moriyasu, técnico do Japão, para frear Vini Jr., Matheus Cunha e companhia, nesta segunda-feira, às 14h (de Brasília), em Houston, no duelo contra o Brasil, pela fase 16 avos de final da Copa do Mundo 2026.

Nascido em Newark, nos Estados Unidos, Suzuki é filho de mãe japonesa e pai ganês. Essa origem multicultural o coloca como o primeiro goleiro negro da história da seleção japonesa, um marco que o transformou em símbolo de uma mudança gradual no perfil do futebol do país.

Zion Suzuki é o primeiro goleiro negro da história da seleção japonesa. Foto: MOLLY DARLINGTON / AFP

Criado no Japão desde a infância, ele passou pelas categorias de base do Urawa Reds, onde se profissionalizou. Durante a temporada 2023/24, rumou ao futebol europeu, defendendo atualmente o Parma, da Itália. Sua chegada ao futebol italiano o coloca como pioneiro em sua posição entre os jogadores japoneses.

Dentro de campo, Suzuki já enfrentou a seleção brasileira em um amistoso recente, quando o Japão venceu por 3 a 2, em outubro de 2025. No clube, também já teve confrontos com atletas brasileiros desta Copa, como o volante Éderson Santos, da Atalanta, e o zagueiro Bremer, da Juventus.

Aos 23 anos e com 1,90 m, o goleiro também chama atenção pelo respeito declarado aos arqueiros brasileiros. Em entrevistas e interações nas redes sociais, já elogiou nomes como Alison e Ederson, convocados por Ancelotti para este Mundial, chegando a colocá-los entre os melhores do mundo, ao lado de referências como Thibaut Courtois e o histórico Gianluigi Buffon.

Na última coletiva do Brasil, realizada no domingo, o técnico Carlo Ancelotti elogiou o trabalho de Zion. “(Suzuki) é o japonês que eu estou acompanhando. Também porque ele está jogando no meu time, que é o Parma. Ele tem feito um grande trabalho e é muito respeitado na região”, disse ao ser questionado sobre qual atleta japonês gostaria de ter treinado em clubes.

Jovem goleiro teve atuação decisiva contra a Suécia. Foto: Sam Hodde / AP Photo

A trajetória do goleiro também se conecta a outros atletas de destaque com ascendência africana ou mista que vêm ganhando espaço no esporte japonês na última década, como Naomi Osaka, no tênis, e Rui Hachimura, no basquete da NBA. No futebol, nomes como Leo Kokubo e Joel Chima Fujita reforçam essa nova geração.

Racismo, lesão e volta por cima

Suzuki também já enfrentou momentos difíceis na carreira. Após falhas na Copa da Ásia de 2024, foi alvo de ataques racistas nas redes sociais, o que o levou a restringir os comentários em suas contas por um período.

Com muita personalidade, deu a volta por cima e acumulou boas atuações, inclusive nesta Copa, com ótimas intervenções contra a Holanda e, principalmente, diante da Suécia. Defesas que garantiram pontos importantes para o avanço da seleção asiática no Mundial.

Mais recentemente, o goleiro sofreu uma fratura na mão esquerda durante um duelo diante do Milan, em novembro de 2025. A lesão envolveu o osso escafoide e o dedo médio, exigindo cirurgia e afastamento dos gramados por cerca de três meses. Para sorte da seleção e do Parma, ele se recuperou com sucesso e retomou sua vaga como titular em ambas as equipes.

Apesar dos obstáculos, Suzuki se tornou uma das principais figuras do elenco japonês, tanto pelo desempenho quanto pelo simbolismo. Agora, ele se coloca mais uma vez à prova para tentar ajudar seu país a derrubar o gigante pentacampeão no maior torneio de futebol do mundo.

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