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Ícone da música pernambucana, banda Mestre Ambrósio ganha filme com registros inéditos da sua trajetória

Documentário celebra trajetória de mais de 30 anos da banda/Foto: José de Holanda

Documentário celebra trajetória de mais de 30 anos da banda (Foto: José de Holanda)

No cerne da ebulição cultural no Recife dos anos 1990, seis cabeças criativamente inquietas se coligaram para dar luz a Mestre Ambrósio, uma das bandas mais celebradas da cena pernambucana. Exatos 30 anos depois do lançamento do álbum homônimo de estreia, o grupo festeja a efeméride com o documentário “Quando a gente vira um”. O título ainda não tem data confirmada na capital pernambucana, que recebe show do sexteto neste domingo (28), no Pátio de São Pedro.

Produzido pelo Sesc, o filme integra a programação do In-Edit Brasil 2026, Festival Internacional do Documentário Musical, realizado em São Paulo. A obra já foi exibida em duas sessões lotadas nas salas do Cine Olido e CineSesc; a última acontece neste domingo (28), derradeiro dia do festival, na Cinemateca Brasileira. Agora, a expectativa dos diretores do filme, Cláudia Dias Perez e Shinji Shiozaki, é conseguir viabilizar uma sessão especial na capital pernambucana.

“Eu me surpreendi bastante com o retorno das pessoas. A recepção do público tem sido incrível e, ao final de cada sessão, a gente se olhava e dizia: precisamos exibir o quanto antes no Recife”, admitiu Cláudia em entrevista ao Diario. A ideia inicial do longa-metragem era menos ambiciosa: registrar os primeiros shows do retorno da banda, em 2022, após o hiato de 18 anos pelo qual o grupo se manteve afastado. No entanto, a partir das primeiras conversas com os integrantes, os realizadores perceberam a riqueza do material que tinham em mãos.

Entre raríssimas imagens de arquivo e entrevistas com a banda e outras figuras, como Lenine, Otto e Jorge Du Peixe, o filme transporta o espectador da fase embrionária do grupo, em busca pela identidade artística que marcaria o projeto, até a consolidação da Mestre Ambrósio com a gravação dos álbuns e turnês pelo mundo afora. Até em cena de novela da Globo (“Suave Veneno”), vejam só, o grupo apareceu durante o auge comercial da banda, se assim pudéssemos classificar.

O documentário tece com destreza a linha narrativa – propositalmente cronológica – que busca condensar, em 90 minutos, as inúmeras histórias vivenciadas por Éder “O” Rocha, Helder Vasconcelos, Maurício Bade, Mazinho Lima, Sérgio Cassiano e Siba Veloso. Na percepção de quem compõe a matéria-prima do filme, o produto final é importante documento para preservação da memória não apenas da banda, mas da história cultural pernambucana.

“A gente conta a história do grupo, mas, ao mesmo tempo, a gente conta a história da banda inserida no movimento pernambucano e na música brasileira. Eu não sou nostálgico, tenho certa agonia com a nostalgia. Mas eu acho que a memória não pode se perder”, contou Sérgio Cassiano ao refletir sobre a capacidade de reverberação do documentário.

Filme para fãs, antigos ou novos

Para Siba, revisitar imagens de arquivo há muito não vistas e perceber os depoimentos dos companheiros sobre a história da banda tem um fator emocional indissociável. “É impactante pra gente também. Perceber que a história, contada a partir dos seis, tem coerência é algo muito bacana”. Na percepção do músico, é um “filme para fã”, seja para quem acompanha a trajetória da Mestre Ambrósio desde 1996 ou para o público mais jovem que, desde o retorno em 2022, comprova nos shows a renovação dos fãs que acompanham o grupo.

Na percepção de Éder “O” Rocha, é curioso identificar a transição geracional do público como uma característica das tradições enaltecidas pela própria obra do grupo. “Percebemos que, hoje, têm muitos filhos dos antigos fãs da banda. É um modo da banda renascer para novas pessoas”. Presente nas exibições do filme em São Paulo, o artista enaltece o sentimento de reconhecimento pelo trabalho construído pelos seis Ambrósios.

Neste domingo (28), a banda se apresenta no Pátio de São Pedro, no Recife, ainda como parte da programação dos festejos juninos. Sobre o presente e o futuro da banda, Éder garante que o grupo não tem pressa para produzir material novo. Desde o retorno, a Mestre Ambrósio lançou uma música inédita, “Pela Janela”.

“Temos muitas ideias. São seis cabeças pensantes. Então, sim, a gente olhar para trás (para o legado da banda), mas para continuar seguindo em frente”, afirmou o músico. Neste momento, o desejo é lançar o “Quando a gente vira um”, o quanto antes, no Recife. “Se for, por exemplo, no Cinema São Luiz. Vai ser incrível, muito especial”.

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