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A mística da camisa 7 e o mapa da seleção brasileira para desarmar a Escócia na Copa

Beting: ‘Se o Brasil cair numa próxima fase, não é absurdo’

Mauro Beting faz um balanço das seleções favoritas a ganharem a Copa e destaca as surpresas. Crédito: TV Estadão

Uma coisa o Brasil tem e ninguém tem melhor: camisa 7. Siiiiiiiiiiiiimmmmm, a do Cristiano Ronaldo. Sim, a da Inglaterra, que já foi de Stanley Matthews e de Beckham. Sim, a que é de Garrincha, que antes foi de Julinho, de tanta gente ótima, como Jairzinho, o melhor do Brasil, da melhor seleção de todas. O 10 do Botafogo que, vestindo a camisa 7 amarelinha, chutou sete bolas em gol na Copa de 1970 e fez as sete; 100% de aproveitamento em todas as bolas que entraram na maior das Copas.

Sete de tantos craques essenciais como Bebeto. Sete que podia ser de grandes pontas direitas em 2026. Sete do Estêvão, que não pôde. Sete que podia ser do Rodrygo, o Raio, que é ponta direita também. Sete que podia ser do Raphinha, quando ele chegou do Leeds pra seleção do Tite, e que foi por ali em uma partida preocupante na segunda etapa contra o Haiti, ainda mais sem o Raphinha, que sentiu lesão. Entrou o Rayan, que marca mais do que o Luiz Henrique, que havia decepcionado contra Marrocos quando entrou.

Sete que é de Vinícius Jr. O melhor brasileiro na Copa. Mas estamos falando de quem pinta o sete. E pode pintar na função de sete.

Vini Jr tem sido o destaque do Brasil na Copa do Mundo. Foto: Werther Santana/Estadão

Luiz Henrique, que sempre jogou bem aberto pela direita na seleção brasileira, mas não foi bem no primeiro jogo, como o Rayan não foi tão bem no segundo, mas merece ser titular numa posição que o Brasil ainda tem Endrick, que pode jogar aberto ali pela direita e muito bem, que pode ter Martinelli, que levantou a mão e falou: “Eu também jogo pela direita” – como manda ben pela esquerda desde o Ituano, e também pelo Arsenal campeão da Inglaterra.

E pode ser a função até de Paquetá flutuando, como foi no ciclo de 2018 a 2022 com o Tite, quando jogou aberto pela direita, jogou aberto pela esquerda, jogou como segundo volante, jogou como meia centralizado, até como falso nove. Paquetá pode fazer várias funções se jogar melhor do que tem jogado. Como o Brasil pode e deve jogar melhor já contra a Escócia.

E ainda mais ali pelo setor direito, que se não vai ter Estêvão, se não vai ter Rodrygo, e se não vai ter agora Raphinha, que comece com Rayan.

E depois que entre Endrick. Sobretudo ele. Ou outras boas opções. Até porque ali pela esquerda defensiva excocesa é um dos pontos frágeis da equipe rival. Não deveria ser, mas tem sido. Robertson, que é um dos melhores cruzadores de bola do mundo, e já foi um dos melhores laterais esquerdos do planeta, já não é mais nem mesmo a melhor opção pela lateral esquerda do Liverpool. Com a bola é perigoso, tem experiência, qualidade, mas tem marcado muito mal.

Mesmo se Tierney por ali der um pé (dúvida por lesão), ainda assim é o lado mais frágil num sistema defensivo já pesado da equipe escocesa, que tem também um camisa 7 muito bom que é McGinn. Um canhoto de boa técnica, sabe inverter a bola, consegue dar um drible, chuta bem, pensa bem o jogo, começa as melhores jogadas da Escócia. Se for bem marcado, o Brasil tem um grande caminho pela frente. Se não for, seja por Douglas Santos (que pode ou deve ser poupado pelo amarelo), que entre Alex Sandro mais do que tem treinado a princípio e muito mais do que tem jogado pelo Flamengo.

Tem experiência de Copa, é um ótimo lateral e pode quebrar o galho.

Além do McGinn, o Brasil precisa marcar o melhor escocês disparado, que é McTominay. Ele era um bom volante do Manchester United, virou um playmaker, um regista no Napoli campeão da outra temporada, e segue jogando bem e fazendo gols quando chega perto de Che Adams. Mas, fora isso, e a bola parada, pouco tem a oferecer a Escócia contra o Brasil.

A seleção não precisa jogar muito ou jogar o que tem jogado para vencer e até mesmo ser o primeiro do grupo.

Daí é só encrenca. Venha Japão, venha Holanda, venha quem vier, o Brasil já perde o favoritismo. Mas, em Miami, no calor senegalês ou floridiano, é assim que se escreve? O Brasil é favorito.

Repito, até para ser primeiro lugar, com Marrocos em segundo. Mas daí a Copa vai ficar mais difícil do que já tem sido. Como sempre é. E agora, ainda mais.

Mas, contra a Escócia, historicamente, e nesse momento da Escócia, e mesmo com o momento instável, incerto e infeliz do Brasil do Ancelotti, o Brasil vence.

Não ganha no grito na arquibancada dos inflamados e inflamáveis escoceses. Mas ganhar no que interessa. No campo.

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