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- Em 18 de julho de 2025, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL‑SP) declarou à CNN Brasil que retaliações econômicas dos EUA contra o Brasil seriam “terra arrasada” e que, se isso ocorresse, ele se sentiria vingado.
- Na mesma entrevista, justificou tais medidas como punição ao governo e ao STF, afirmando não temer as eleições de 2026 e sugerindo que o pleito poderia ser adiado.
- A fala gerou repúdio imediato na política e na opinião pública, ressaltando a aproximação do clã Bolsonaro com Washington após a abertura de investigação comercial pelos EUA.
- Em 2 de outubro de 2025, o senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) afirmou à Rádio Itatiaia que pediu pessoalmente a Donald Trump, ao vice‑presidente JD Vance e ao secretário de Estado Marco Rubio que não aplicassem a tarifa de 25 % proposta pelo USTR sobre produtos brasileiros.
Em 18 de julho de 2025, três dias após os Estados Unidos abrirem investigação comercial contra o Brasil, o então deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou à CNN Brasil:
“Se houver o cenário de terra arrasada, pelo menos eu estarei vingado.”
Na ocasião, ele defendia que retaliações econômicas externas — mesmo que destruíssem parte da economia nacional — seriam uma forma de punir o governo e instituições brasileiras, como o Supremo Tribunal Federal (STF). Eduardo disse ainda que não estava preocupado com eleições e sugeriu que, se a crise institucional não fosse resolvida, o pleito de 2026 poderia nem ocorrer.
Relembre:
A declaração gerou repúdio imediato na política e na opinião pública. Hoje, quase um ano depois, serve para contextualizar os efeitos concretos da aproximação do clã Bolsonaro com Washington.
Flávio Bolsonaro e a tentativa de se distanciar
O histórico de Eduardo contrasta com a postura atual de seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que nesta terça-feira (2) afirmou ter pedido pessoalmente a Donald Trump para que não taxasse produtos brasileiros, no mesmo momento em que a proposta de tarifa de 25% foi divulgada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).
“Nas três reuniões que nós tivemos, com o presidente Trump, o vice-presidente [J.D.] Vance e o secretário de Estado, Marco Rubio, eu pedi expressamente: não taxem as empresas brasileiras. É um pedido que eu fiz, expresso, a eles”, declarou Flávio à Rádio Itatiaia, de Minas Gerais.
A fala ocorre dias após Flávio viajar a Washington para encontros com Trump e auxiliares — encontros que agora estão no centro da controvérsia, pois a ofensiva tarifária veio logo depois. Oficialmente, os EUA justificam a proposta como resposta a “práticas comerciais irrazoáveis” do Brasil, citando o Pix, comércio digital, propriedade intelectual e políticas ambientais.
Lobby bolsonarista em Washington e impacto econômico
O pacote de tarifas proposto pelo USTR, que aguarda decisão final do presidente Trump e uma série de etapas formais até meados de julho, é resultado de uma investigação iniciada em julho de 2025 sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que autoriza retaliações contra práticas consideradas prejudiciais aos interesses americanos. A proposta de 25% de sobretaxa incidiria sobre uma ampla gama de produtos brasileiros, com isenções pontuais para itens considerados estratégicos pelo governo americano.
Críticos destacam que o lobby bolsonarista em Washington não se limitou a pedidos de isenção de tarifas. Aliados — incluindo Flávio e o assessor que o acompanhou, Paulo Figueiredo — também teriam pleiteado junto ao governo Trump a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Essa pressão, segundo especialistas, pode ter contribuído para a decisão estadunidense de adotar medidas que põem em risco a economia brasileira e complicam ainda mais as já tensas relações comerciais entre os dois países.
A estratégia de buscar intervenções externas sobre temas internos brasileiros — desde o Pix até o Judiciário e a regulação de plataformas digitais — tem sido interpretada por autoridades brasileiras como uma forma de instrumentalizar a política comercial americana para fins eleitorais e políticos do clã Bolsonaro.
Repercussão pública
A reação nas redes sociais foi imediata e notadamente crítica. Termos como “TariFlávio”, “culpa do Flávio” e “o Pix é nosso” estão entre os mais comentados e viralizados, alimentando uma narrativa de que o senador teria contribuído, direta ou indiretamente, para uma ameaça tarifária que pode prejudicar a economia brasileira — justamente em um ano eleitoral.
A tentativa de Flávio de agora dizer que pediu para Trump “não taxar” é uma manobra de contenção de danos diante do impacto negativo que a ofensiva dos EUA já provoca na opinião pública.
Riscos para a economia e soberania
Economistas e especialistas em comércio internacional alertam que, se concretizado, o tarifaço pode afet setores estratégicos e aumentar custos para exportadores brasileiros, além de enfraquecer a posição do país em negociações multilaterais. A pressão também coloca o governo de Luiz Inácio Lula da Silva em posição defensiva, numa disputa que transborda o campo comercial e adentra a arena política interna.
Em Brasília, a proposta de taxação foi criticada por representantes do governo brasileiro como politicamente motivada, uma vez que não se limita a questões estritamente comerciais, mas incorpora elementos de disputa institucional e pressão internacional sobre políticas internas.
