O Irã teria criado uma espécie de armadilha diplomática e estratégica que deixa os Estados Unidos com pouquíssimas opções de ação. Essa é a avaliação de Danny Zahreddine, especialista em Relações Internacionais da PUC Minas, que analisou o cenário geopolítico envolvendo os dois países em entrevista ao WW.
Segundo Zahreddine, os iranianos conseguiram estabelecer condições nas quais qualquer novo ataque americano ao seu território teria consequências devastadoras. “Voltar a atacar o Irã é algo desastroso para os países do Golfo, algo desastroso para o sistema mundo”, afirmou o especialista.
Uma vitória iraniana no tabuleiro geopolítico
Zahreddine avaliou que, no contexto do acordo em discussão, os conservadores iranianos saem em vantagem em relação aos conservadores americanos. Para ele, o Irã conseguiu estruturar uma situação na qual “os Estados Unidos não conseguem fazer muita coisa”.
O especialista chegou a comparar o resultado ao refrão da música “The Winner Takes It All”, sugerindo que os iranianos levam a melhor nesse cenário.
O analista também destacou a complexidade da posição de Trump diante desse quadro. Segundo ele, Trump demonstrou oscilações em seu discurso — chegando, em determinado momento, a mencionar a possibilidade de jogar bombas em Omã, país que atua como um dos principais mediadores nas negociações entre Irã e Estados Unidos. “Eu levei um susto quando ele disse que ia jogar bombas no Omã, o principal ator de mediação”, comentou Zahreddine.
A estratégia comunicacional de Trump
Na avaliação do especialista, a tendência de Trump será a de gradualmente deixar de lado temas sensíveis como o programa de mísseis balísticos e o programa nuclear iraniano, adotando uma narrativa mais suave.
“O que ele vai fazer é, aos poucos, parar de falar do programa de mísseis balísticos, parar de falar em proxies”, disse Zahreddine.
A estratégia, segundo ele, passaria por tentar “naturalizar” essas questões e apresentar como conquista a garantia de que o Irã “nunca mais terá armas nucleares”, além de buscar um prazo de negociação mais longo do que o obtido anteriormente.
Zahreddine acrescentou que Trump pode tentar compensar o desgaste diplomático causado pelas ações militares americanas e israelenses contra o Irã criando novas frentes de atenção internacional — como, por exemplo, uma eventual crise envolvendo Cuba — naquilo que o especialista chamou de “jogo de múltiplas arenas”.

