Protestos em Israel pedem aliança com árabes para tirar Netanyahu do poder

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Protestos em Israel pedem aliança com árabes para tirar Netanyahu do poder

Centenas de israelenses foram às ruas neste sábado (31) em Tel Aviv e Jerusalém para pedir que a oposição faça uma aliança com os partidos árabes e tire Benjamin Netanyahu do poder. Em Tel Aviv, cerca de 500 pessoas participaram; em Jerusalém, cerca de 100. Os cartazes diziam que “árabes e judeus só vão vencer juntos” e que “há uma maioria pela mudança”.

Os protestos vêm depois da eleição de terça-feira (27), que não deu maioria a nenhum bloco no Knesset, o Parlamento de 120 cadeiras. Os partidos judaicos de oposição somaram 48 cadeiras, e os partidos árabes Raam e Joint List, 19. Juntos chegariam a 67, mas parte da oposição rejeita essa soma, e é justamente essa resistência que os manifestantes querem vencer.

A psicóloga Ayelet Raz, de 60 anos, afirmou que a população árabe, cerca de 20% do país, tem direito à participação política e que “é a última chance de uma mudança real”. A videoartista Sharon Balaban, de 55 anos, pediu que a oposição “seja corajosa e faça a coisa certa”. Para os manifestantes, a questão já não é ideológica: é a formação de uma maioria capaz de tirar Netanyahu do cargo.

O principal nome da oposição, Gadi Eisenkot, ex-chefe militar e novato na política, ainda não decidiu se vai buscar uma coalizão com os partidos árabes. Ele disse que só formará um governo sionista cujos membros reconheçam Israel como estado judeu, democrático e liberal, e o Hamas como organização terrorista. Em temas de segurança, inclusive Gaza, Eisenkot concorda em grande parte com Netanyahu.

Do lado árabe, Mansour Abbas, do Raam, disse estar disposto a repetir a experiência de 2021 e 2022, quando o partido integrou uma coalizão de curta duração, a única vez em que partidos árabes fizeram parte de um governo israelense. Yair Golan, do Democrats, defende um governo com respaldo árabe. Avigdor Liberman, do Yisrael Beitenu, afirmou que não entrará em nenhuma coalizão que dependa desses partidos, nem com apoio externo.

Netanyahu acusou os partidos árabes de fraude no dia da votação. A polícia prendeu três suspeitos, mas a comissão eleitoral classificou o caso como isolado e local. Agora, o presidente Isaac Herzog deve indicar um líder para formar governo em até 28 dias, com possibilidade de prorrogação. Até lá, a única certeza é que Israel segue dividido, e a pergunta que fica é se a oposição vai romper um tabu que atravessa décadas.

Por: TonyLucas/ focobr.com

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