O presidente Lula cravou nesta semana a frase que resume a aposta do seu governo contra o setor de apostas: o dinheiro das bets está voltando para a mesa da família brasileira. A declaração veio depois de um levantamento da Associação Brasileira de Supermercados mostrar que o consumo dentro das casas voltou a subir no país, num movimento que o Planalto lê como efeito direto do aperto sobre o jogo online.
Os números dão sustentação ao discurso. O consumo nos lares cresceu 2,7% de janeiro a setembro deste ano. Nas vendas de alimentos, a alta foi de 6,5% entre 5 e 11 de outubro na comparação com o mesmo período do ano passado, e de 6,3% na semana seguinte, entre 12 e 18. É dinheiro que antes sumia na tela do celular e agora reaparece no carrinho de supermercado.
O setor de supermercados pondera que outros fatores pesam no resultado, como a isenção de impostos sobre itens da cesta básica e a mudança no valor médio do Bolsa Família. Mesmo assim, a leitura do governo é que a restrição às apostas esportivas e aos cassinos online tirou um ralo de renda que corroía o orçamento das famílias mais pobres todo mês.
O problema é que a medida que criou essas restrições ainda depende do Congresso Nacional para virar lei definitiva. E é ali que o setor de apostas tem feito o trabalho mais caro e mais silencioso dos últimos anos, com patrocínios, lobby e uma bancada informal que atende pelo nome das casas de aposta sempre que o assunto entra em pauta.
Para completar, o Supremo Tribunal Federal marcou para 3 de novembro uma audiência pública sobre o tema. Ou seja: em menos de uma semana, o assunto estará nas mãos dos três poderes ao mesmo tempo, e o resultado vai dizer se o país leva a sério o estrago social que o jogo online já provocou em cidades pequenas e em famílias endividadas.
A conta que Lula apresenta é simples e, por isso mesmo, incômoda para quem lucra com ela: o que não vai para a aposta volta para a comida. Resta saber se o Congresso vai querer fazer essa conta em ano de mandato novo, ou se vai preferir não enxergar o óbvio.
Por: TonyLucas/ focobr.com




