O general da virada: Janones comandou o “Exército do Lula” e transformou celulares em trincheira

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O general da virada: Janones comandou o “Exército do Lula” e transformou celulares em trincheira

A virada de Lula tem um general. Enquanto o PT discutia como reagir ao primeiro turno, o deputado federal André Janones (Rede-MG) montou e comandou o “Exército do Lula”, canal de WhatsApp que, segundo especialistas ouvidos pela Agência Pública, foi central para transformar a derrota parcial de 4 de outubro na reeleição de domingo (25).

O ponto de partida era desfavorável. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) teve 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%, uma diferença de cerca de 2,2 milhões de votos, com mais de 33 milhões de eleitores ausentes. Três semanas depois, Lula venceu com 51,79% e uma vantagem de mais de 4,3 milhões de votos.

O canal de Janones tinha cerca de 50 mil inscritos antes da votação. Em 7 de outubro, em vídeo gravado ao lado do presidente, que disse “vamos chegar a 5, 10 milhões de pessoas”, já somava 1,8 milhão. A reportagem da Pública afirma que o grupo chegou a quase 11 milhões de participantes.

A engrenagem era simples e popular. Janones era o único a publicar, com linguagem de calçada e vídeos gravados no celular, “mais calçada e menos helicóptero”, como defendia. A cada convocação, que costumava começar com “Pessoal, urgente”, os participantes recebiam missões: compartilhar vídeos, divulgar publicações e convidar novos integrantes.

Para a pesquisadora Raquel Recuero, da UFPel, o segredo foi entender que não basta impulsionar conteúdo ou depender de influenciadores: “o trabalho de formiguinha das pessoas para os seus grupos” foi decisivo. Maria Paula Almada, do Aláfia Lab, avalia que as missões fizeram as pessoas se sentirem protagonistas, o que ajudou a reduzir a abstenção, que caiu de 21,08% para 19,22% do primeiro para o segundo turno.

A estratégia não ficou restrita ao WhatsApp. Lula se reuniu com Janones e com as deputadas eleitas Ana Elisa e Pedro Rousseff para reorganizar a comunicação digital da campanha. Perfis de fãs de artistas como Beyoncé, Anitta, Taylor Swift e BTS se ofereceram para apoiar, e lives ao lado do presidente alcançaram milhões de visualizações.

O “exército” também enfrentou resistência. A campanha de Flávio levou o funcionamento do canal ao TSE, e houve decisões que restringiram suas atividades, seguidas de determinações sobre a retomada. Não adiantou: a militância virtual se transformou em mobilização de rua, com as maiores manifestações da esquerda em décadas, segundo a Pública.

Na noite da apuração, o general fez o que faz um general vitorioso: calou. Janones publicou no X apenas uma mensagem com referência musical, sem convocar ninguém. A vitória de Lula, a quarta de sua carreira, tem muitos pais, mas poucos deles tiveram tanto peso na virada quanto o deputado de Minas que transformou milhões de celulares em trincheira.

Por: TonyLucas/ focobr.com

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