Vorcaro acusa Ibaneis de exigir R$ 400 milhões para viabilizar fusão do BRB com o Master

0
0
Vorcaro acusa Ibaneis de exigir R$ 400 milhões para viabilizar fusão do BRB com o Master

A proposta de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, aponta o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) como autor de uma exigência de R$ 400 milhões para viabilizar a fusão entre o BRB e o Master. As informações vieram à tona por mensagens obtidas pelo UOL e precisam ser apuradas, já que se trata de acusação de um delator em negociação.

Segundo o relato atribuído a Vorcaro, metade do valor seria paga em dinheiro vivo e a outra metade por meio de um contrato fictício com um escritório de advocacia indicado por Ibaneis. O ex-governador ainda ficaria com 5% do novo banco, por meio de uma empresa de fachada. Cerca de R$ 80 milhões já teriam sido adiantados em espécie, entregues por um motorista do banqueiro a Leonardo Valverde, apontado como braço direito de Ibaneis.

As mensagens indicam ao menos dez entregas a alguém chamado Léo ou Dr. Léo, entre novembro de 2024 e agosto de 2025, e a Polícia Federal suspeita que se trate de Valverde. Ele não respondeu à reportagem. A cronologia ajuda a entender a escalada: o primeiro contato foi em setembro de 2024, num almoço na casa de Vorcaro, em Brasília.

Em outubro daquele ano, Ibaneis autorizou o aumento do capital do BRB, de R$ 500 milhões para R$ 750 milhões. Até fevereiro de 2025, o banco público comprou carteiras de crédito do Master que somavam R$ 9,5 bilhões, e em março anunciou a compra de 58% da instituição. Em setembro, o Banco Central vetou a operação, ainda com R$ 2,1 bilhões em ativos problemáticos pendentes.

O Master acabou liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, e Vorcaro foi preso. A Polícia Federal também apura a compra, pelo banco, de seis apartamentos de alto padrão avaliados em R$ 146,6 milhões, que poderiam ter servido de propina ao então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. As investigações seguem em andamento.

A defesa de Ibaneis informou que não comentaria uma delação que, segundo ela, não foi aceita por não ter um fiapo de prova. O advogado Kakay sustentou que as mensagens confirmariam que Ibaneis dava liberdade ao presidente do BRB e não participava da gestão do banco. A palavra final é da Justiça, mas o caso mostra como o rombo do Master vai alcançando, aos poucos, o centro do poder político em Brasília.

Por: TonyLucas/ focobr.com

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui