O mercado financeiro manteve a projeção de inflação para 2026 em 5,22%, acima do teto da meta, e reduziu a estimativa de crescimento da economia para 1,83%. Os números estão no Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (19) pelo Banco Central, que reúne as expectativas coletadas até a sexta-feira anterior.
A meta de inflação é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo, o que fixa o teto em 4,5%. A projeção de 5,22% passa longe dele. Para 2027, a estimativa subiu de 4,30% para 4,32%. O IPCA de setembro avançou 0,82% no mês e chegou a 4,58% em 12 meses.
No PIB, o ajuste foi para baixo em três frentes. A projeção de 2026 caiu de 1,85% para 1,83%. A de 2027 recuou de 1,40% para 1,32%, e a de 2028, de 1,83% para 1,81%. O mercado está mais pessimista que o governo, que projeta 2%, e que o FMI, que revisou a previsão para 2,2% no dia 12.
A taxa básica de juros não se mexeu nas apostas do mercado. A Selic termina 2026 em 13,25%, cai para 12% em 2027 e para 10,5% em 2028. São as mesmas projeções da semana anterior, sinal de que o mercado não vê espaço para um corte rápido.
O dólar foi a nota mais amena. A projeção para o fim de 2026 caiu de R$ 5,15 para R$ 5,13. Para 2027, passou de R$ 5,26 para R$ 5,22, e para 2028, de R$ 5,30 para R$ 5,29. Câmbio mais baixo ajuda a segurar o preço de importados e a aliviar parte da pressão sobre a inflação.
O quadro que o Focus desenha é de inflação teimosa, crescimento mais devagar e juros altos por mais tempo. É o tipo de combinação que o bolso do brasileiro sente primeiro, no mercado e na prestação, e que vai estar na mesa do próximo governo.
Por: TonyLucas/ focobr.com


