Flávio termina o primeiro turno na frente, Lula fica em segundo e brasileiros voltarão às urnas em 25 de outubro para decidir quem comandará o país pelos próximos quatro anos
O Brasil ainda não escolheu seu próximo presidente. Depois de um domingo de votação e de uma apuração acompanhada voto a voto em todo o país, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avançaram para o segundo turno da eleição presidencial de 2026. Nenhum dos candidatos conseguiu ultrapassar a metade dos votos válidos, e a decisão ficou para o próximo dia 25 de outubro.
Com praticamente todas as urnas totalizadas, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na liderança, com cerca de 47% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou pouco mais de 45%. A diferença entre os dois ficou próxima de dois pontos percentuais, deixando para a segunda votação uma disputa que começa marcada pelo equilíbrio.
Mais de 56 milhões de brasileiros votaram em Flávio Bolsonaro, enquanto aproximadamente 53,8 milhões escolheram Lula. São números que revelam não apenas a força eleitoral dos dois campos políticos, mas também um país novamente dividido entre projetos bastante diferentes para os próximos quatro anos.
Para Flávio Bolsonaro, o resultado tem um significado particular. Aos 45 anos, o senador disputa pela primeira vez a Presidência da República e chega ao segundo turno carregando um sobrenome que ocupa o centro da política nacional há quase uma década. Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio conseguiu reunir uma parcela expressiva do eleitorado conservador e terminou a primeira etapa da eleição à frente do atual presidente.
Do outro lado está um personagem que conhece como poucos uma eleição presidencial. Lula chega ao segundo turno buscando um quarto mandato não consecutivo. Aos 80 anos, o petista enfrenta agora uma situação diferente daquela vivida em 2022: desta vez, terminou o primeiro turno atrás do adversário e terá três semanas para tentar ampliar sua votação e conquistar os eleitores que escolheram outras candidaturas.
O resultado também confirmou que a eleição não conseguiu escapar da polarização que marcou os últimos anos da política brasileira. Mesmo com outras candidaturas tentando ocupar espaço fora da disputa entre PT e o campo bolsonarista, Lula e Flávio concentraram juntos mais de nove em cada dez votos válidos, deixando uma distância considerável para os demais concorrentes.
O escritor Augusto Cury (Avante) terminou em terceiro lugar, com aproximadamente 2,9% dos votos válidos. Renan Santos (Missão) apareceu na sequência, com cerca de 2,25%. Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e os demais candidatos também ficaram fora da segunda etapa da eleição. A partir de agora, os votos desses eleitores passam a fazer parte da principal disputa política das próximas três semanas.
Mas segundo turno não é simplesmente uma continuação matemática do primeiro. A votação recomeça do zero. Os brasileiros terão novamente duas opções na urna, e cada candidato precisará conquistar a maioria dos votos válidos. Eleitores que votaram em outros nomes poderão escolher Lula ou Flávio, votar em branco, anular ou até mesmo não comparecer. Quem não votou no primeiro turno também poderá votar normalmente no segundo, desde que esteja com a situação eleitoral regular.
É justamente aí que começa uma nova eleição. Os dois candidatos precisarão falar para além de suas bases mais fiéis. Os debates devem ganhar ainda mais importância, assim como as alianças construídas após o primeiro turno, os apoios de governadores, senadores, deputados e lideranças políticas e, principalmente, a tentativa de convencer o eleitor que não escolheu nenhum dos dois neste domingo.
Flávio entra nessa segunda etapa carregando a vantagem numérica obtida nas urnas. Lula, por sua vez, terá o desafio de buscar os votos necessários para superar a diferença. Historicamente, desde a redemocratização, quem terminou o primeiro turno presidencial na liderança também venceu o segundo, mas esse é apenas um registro histórico — não determina o resultado de 2026, porque os votos serão novamente dados e contabilizados em 25 de outubro.
Há ainda um dado que dimensiona o tamanho da disputa: segundo levantamento da Folha com base na apuração, a diferença entre os dois primeiros colocados foi a menor já registrada em um primeiro turno presidencial desde a redemocratização, ficando abaixo inclusive da distância observada entre Lula e Jair Bolsonaro em 2022.
Agora, a campanha muda de ritmo. Não haverá mais uma longa lista de candidatos dividindo o tempo, os debates ou a atenção do eleitor. De um lado estará Flávio Bolsonaro, do PL. Do outro, Lula, do PT. Serão duas candidaturas, duas histórias políticas e duas propostas de governo disputando diretamente o mesmo eleitor.
Até 25 de outubro, cada declaração terá peso maior, cada apoio será disputado e cada erro poderá custar votos. Mais do que mobilizar quem já está convencido, Lula e Flávio precisarão conversar com milhões de brasileiros que chegam ao segundo turno sem terem escolhido nenhum deles na primeira votação.
O primeiro turno terminou sem entregar a chave do Palácio do Planalto a ninguém. Entregou apenas os nomes dos dois homens que continuarão na disputa. Daqui a três semanas, serão novamente os eleitores, diante das urnas, que darão a resposta definitiva sobre quem governará o Brasil a partir de 2027.




