Mendonça homologa delação que confirma repasses de Vorcaro ao filme sobre Bolsonaro pedidos por Flávio

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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, homologou nesta quarta-feira (9) o acordo de delação premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, operador financeiro apontado como braço direito do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O acordo foi fechado com a Procuradoria-Geral da República em agosto e corre sob sigilo.

Segundo o que o colaborador relatou às autoridades, ele ficou encarregado de movimentar dinheiro vivo para a equipe de Vorcaro e confirmou sete transferências ao exterior, somando US$ 12,3 milhões, destinadas ao fundo americano Havengate. O dinheiro foi usado para bancar “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro cuja estreia está prevista para depois das eleições deste ano.

O Havengate é administrado por Paulo Calixto, advogado de imigração próximo a Eduardo Bolsonaro, hoje nos Estados Unidos. A homologação chancela o acordo depois de uma audiência realizada na terça-feira (8) para confirmar a voluntariedade da colaboração — etapa prevista em lei antes que as informações do delator possam ser oficialmente usadas nas investigações.

Financiamento do filme reacende suspeita sobre Flávio Bolsonaro

O episódio reforça o que já vinha sendo apurado sobre o financiamento da produção. Reportagens publicadas anteriormente apontaram que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hoje candidato à Presidência, negociou diretamente com Vorcaro um aporte de US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões à época — para viabilizar o filme sobre o pai. Ao menos R$ 61 milhões teriam sido efetivamente repassados entre fevereiro e maio de 2025.

Procurado, Flávio confirmou por nota que pediu dinheiro a Vorcaro, mas nega qualquer irregularidade. Ele afirma que buscava “patrocínio privado para um filme privado” sobre a trajetória do pai e que não houve contrapartidas nem uso de recursos públicos ou da Lei Rouanet. Em outra ocasião, porém, um áudio divulgado mostra o próprio senador cobrando o banqueiro pelo dinheiro e alertando para o risco de a produção não ser concluída caso os repasses atrasassem.

Vorcaro está preso desde novembro de 2025, suspeito de comandar um esquema de fraudes que teria provocado um rombo estimado em R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos. O Banco Master, do qual ele era dono, foi liquidado pelo Banco Central dias depois de sua prisão.

Com a homologação da delação de Freixo Junior, os detalhes sobre os repasses ao fundo que bancou “Dark Horse” passam a poder ser usados formalmente pelas autoridades na investigação sobre o destino do dinheiro do Banco Master — inclusive na apuração sobre um eventual uso da produção para, na prática, ajudar a financiar a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.

Por: TonyLucas/ focobr.com

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